Mais de dois milhões de euros foram doados à Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima para as vítimas da depressão Kristin, anunciou a instituição, que hoje iniciou a reconstrução da primeira casa danificada pelo mau tempo.
O diretor de serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, Nelson Costa, afirmou que o Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin, criado pela Cáritas em 30 de janeiro, dois dias depois de aquela depressão ter atingido gravemente a região, já fechou.
“A campanha autorizada pelo Ministério da Administração Interna encerrou no passado dia 28 de fevereiro”, data em que tinham sido doados 1.837.784,54 euros, disse Nelson Costa.
Porém, “continuam a chegar donativos de forma espontânea” e, na sexta-feira, os valores recebidos para apoiar as vítimas já ultrapassavam “os dois milhões e cinquenta mil euros”, declarou.
O diretor de serviços adiantou que quem quiser pode continuar a fazer donativos para as vítimas da depressão, “através da conta geral da Cáritas Diocesana de Leiria”, com esta entidade a pedir que depois lhe seja remetido o comprovativo via mensagem eletrónica com indicação específica de que se trata para as vítimas da depressão Kristin.
O número de donativos recebidos foi superior a 40 mil, sendo o maior, de 85 mil euros, de uma multinacional.
Entretanto, hoje, “já começou a primeira reconstrução de uma casa em Monte Real”, no concelho de Leiria, destacou Nelson Costa.
A primeira reconstrução é na casa de uma família monoparental (mãe e dois filhos, um dos quais com problemas de saúde).
“Foi uma família que ficou desalojada”, declarou, salientando que, neste caso, a reconstrução é “possível em parceria com uma grande empresa que também colabora” com a Cáritas.
De acordo com informação enviada à Lusa, “este momento representa uma etapa decisiva na resposta da Cáritas às famílias sinistradas, após semanas de levantamento e avaliação de necessidades no terreno”.
Encontram-se já abertos 25 processos de apoio, “cada um correspondendo a uma família identificada pelas equipas de intervenção social”, mas “o número de situações já sinalizadas é consideravelmente superior”.
“As equipas da Cáritas no terreno continuam a identificar casos de famílias afetadas que aguardam abertura de processo”, divulgou a instituição, esclarecendo que “a seleção e priorização obedece a critérios de necessidade, urgência e vulnerabilidade, assegurando que o apoio chegue a quem mais precisa”.
Além da reconstrução de casas, nos próximos dias vai começar a ser apoiado outro tipo de situações.
“Temos situações, por exemplo, de pessoas que ficaram sem viatura, que é um meio imprescindível para a família se deslocar para o trabalho”, observou.
Outros casos prendem-se com pessoas que trabalhavam a recibos verdes e ficaram sem trabalho, ou famílias que viram as casas inundadas e não têm seguro nem meios para comprar eletrodomésticos ou mobília.
A Cáritas de Leiria-Fátima, que agradece aos cidadãos, empresas e instituições a confiança e a solidariedade, reiterou “o seu compromisso de total transparência e rigor na gestão de todos os fundos recebidos”, garantindo que “toda a informação relativa às receitas, despesas e intervenções realizadas será oportunamente tornada pública”.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.