O Sudão anunciou o fim da sua epidemia de cólera que, ao longo do último ano e meio, provocou 3.500 mortes e 124.000 infeções nos seus 18 estados, indicou hoje a União Africana (UA).
"O Sudão declarou oficialmente o fim da sua epidemia de cólera, um resultado que as autoridades sanitárias atribuem a várias medidas-chave de resposta que serão analisadas como exemplo de boas práticas", afirmou o gestor-adjunto de incidentes dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (África CDC), Yap Boum, na conferência de imprensa semanal 'online'.
As autoridades sanitárias da agência de saúde pública da UA alertaram que a vacinação, por si só, não é suficiente se não houver melhorias no acesso à água potável, uma vez que é provável que os surtos reapareçam com a próxima época das chuvas.
Desde 2024, foram aplicadas 20 milhões de doses de vacinas na população, mas a agência recomenda que se mantenha a vigilância epidemiológica e equipas de resposta rápida ativas para prevenir novos surtos.
De acordo com a agência sanitária, a República Democrática do Congo (RDCongo), nação vizinha de Angola, concentra 64% dos casos e 80% das mortes registadas em 2026 no continente devido à cólera, com pouco mais de 84.000 infeções e cerca de 2.350 óbitos.
"A RDCongo continua a ser uma prioridade, uma vez que enfrenta simultaneamente cólera, monkeypox e meningite, o que exige um apoio reforçado", concluiu Boum, que apontou como causas da propagação da cólera a migração provocada pelo conflito armado no leste da RDCongo, que dura há cerca de 30 anos, e as inundações sazonais.
No ano passado, o continente africano ultrapassou o recorde de infeções e mortes por cólera registado em 2024, com cerca de 262.300 casos confirmados e aproximadamente 5.900 mortos.