O recandidato à liderança socialista, José Luís Carneiro, acusou hoje o Governo de ser “sempre tático e partidário” por ignorar propostas do PS, apontou “falhanços na saúde” e mostrou disponibilidade para um “amplo consenso” na reforma da Justiça.
No jardim da sede do PS, em Lisboa, José Luís Carneiro apresentou esta tarde a sua candidatura à liderança do PS, à qual volta a concorrer sozinho, um discurso onde fez várias críticas ao Governo de Luís Montenegro e voltou a usar o ex-primeiro-ministro do PSD Pedro Passos Coelho como arma.
“Compreendo, pois, as palavras de quem já teve responsabilidades no país, ao dizer que o governo não reforma e apenas gere, e mal, o dia-a-dia”, disse, sem dizer o nome de Passos Coelho, depois de avisar para os “graves problemas” que têm os principais motores da economia portuguesa e de acusar o Governo de “em pouco tempo” ter desbaratado “a folga orçamental” deixada pelos governos do PS.
O recandidato a secretário-geral do PS lembrou a proposta que fez ao executivo de Montenegro sobre a defesa, já que “esta é uma oportunidade única para transformar e modernizar a estrutura industrial portuguesa”, para acusar o Governo de ser “sempre tático e partidário” e, por isso, “insensível à iniciativa política do PS”.
Carneiro assegurou que irá “defender um Estado inteligente e estratégico” e “forte nas suas funções de soberania”.
“É a razão para estarmos disponíveis para um amplo consenso em torno da reforma da Justiça, pilar essencial do Estado de direito e da qualidade da vida democrática”, enfatizou.
Para o líder do PS, “os falhanços do governo na Saúde mostraram a necessidade de uma alternativa sólida e credível”, que garantiu que é o seu partido.
Outra área na qual apontou o dedo à governação do PSD/CDS-PP foi na habitação, área na qual as propostas do PS também sido ignoradas e, com a política seguida, a única coisa que tem sido conseguida é que Portugal seja “um dos países da OCDE onde o custo com a habitação mais tem crescido”.
“A nossa ambição deve ser a de garantir que até 2035 todas as famílias devem viver numa habitação condigna, mobilizando todos os recursos públicos, cooperativos, sociais e privados para alcançar esse objetivo”, disse.
Sobre a legislação laboral, Carneiro afirmou que "o país contará com o PS para assegurar que as leis laborais protegem o emprego e a dignidade do trabalho perante o choque e os riscos da transição digital, ambiental e da inteligência artificial".
"O país não contará com o PS para fazer da dignidade laboral o único fator e moeda de troca de uma falsa competitividade”, avisou.
No dia em que Israel e Estados Unidos lançaram um ataque contra o Irão, o líder do PS disse que “as intervenções militares não podem, não devem ocorrer à margem do direito internacional”.
Para Carneiro, a política tem que voltar a “criar condições para que cada pessoa seja dona da sua própria vida”.
“A grande causa da próxima década é o direito à autonomia. E esse deve ser o novo pilar do contrato social português. Não queremos uma geração dependente. Queremos construir a geração da autonomia”, propôs.
O líder do PS terminou o seu discurso a defender “um Portugal que se levante”, numa sessão que contou com a presença do presidente do PS, Carlos César, da ex-candidata à Presidência da República Maria de Belém Roseira ou das ex-ministras Alexandra Leitão, Ana Mendes Godinho ou Ana Jorge.