O ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde reforçou hoje que não existe evidência de surtos Shigella no país, desvalorizando o impacto das notícias da imprensa britânica no setor, que mantém um crescimento médio anual de 16%.
Em entrevista à agência Lusa, o José Luís Sá Nogueira, que está em Lisboa para a 36.ª edição da Better Tourism Lisbon Travel Market (BTL), reagiu aos relatos de turistas publicados no Reino Unido sobre casos de infeções gastrointestinais entre turistas, assegurando que o sistema sanitário cabo-verdiano está a realizar uma "investigação rigorosa" em toda a cadeia produtiva, desde fornecedores a unidades hoteleiras, "para apurar se há ou não há [um surto].
"As informações que temos do nosso sistema de saúde é que não há ainda evidência de que haja surto de Shigella em Cabo Verde", afirmou o ministro, sublinhando que "o turismo está vivo em Cabo Verde" e que o país possui indicadores de saúde "próximos do nível de países desenvolvidos", com uma expectativa de vida de 75 anos.
Apesar da "imagem negativa" criada pela imprensa internacional, nomeadamente a britânica, o governante assegurou que o impacto nas reservas não é sentido e que o destino continua credível.
Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, em 2025 houve um aumento de 193 casos de infeções gastrointestinais, sendo que em 01 de fevereiro, artigos publicados, anunciavam que algumas famílias associavam as mortes de quatro turistas britânicos, entre agosto e outubro de 2025, a estas infeções contraídas no Sal e que pretendiam avançar com uma ação judicial contra o operador turístico TUI e a cadeia hoteleira RIU.
Atualmente, o arquipélago recebe cerca de 400 voos semanais, o que representa a chegada de mais de 30 mil turistas a cada sete dias, segundo o ministro.
"De 2022 a 2025, Cabo Verde vem crescendo, em termos de fluxo de turismo, uma média anual de 16%. Já ultrapassámos em mais de 50% os números de 2019 [pré-pandemia]", revelou.
O ministro destacou ainda que o país está a trabalhar para diversificar a economia, onde o turismo representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB), apostando na "Economia Azul" (pescas e transbordo de mercadorias) e na transformação do arquipélago numa plataforma aérea internacional no Atlântico Médio, através da modernização dos aeroportos agora sob concessão da Vinci Aeroportos.
Na sexta-feira, a Vinci Aeroportos anunciou o arranque da segunda fase de modernização dos aeroportos de Cabo Verde, no valor de 142 milhões de euros, no âmbito da concessão que recebeu do Governo em 2022.
"Somos um país, portanto, que tem uma estabilidade económica e política e financeira que permite, de facto, gerar confiança aos investidores, é por isso que nós temos vários investidores externos a investir em Cabo Verde, não só na área do turismo, mas também em outras áreas", referiu.
José Luís Sá Nogueira questionado pelos desafios que a tutela enfrenta, apontou que um dos grandes desafios é a estabilidade dos transportes entre ilhas, que terá um novo impulso em abril com o início da operação da nova companhia CV Sky, do grupo Linhas Aéreas de Cabo Verde.
"Para dar resposta à forte procura, temos de ter pelo menos quatro aviões a operar no mercado interno para assegurar a estabilidade", explicou, confirmando que estão em curso negociações para a aquisição de duas novas aeronaves para reforçar a frota atual.
No âmbito da participação na BTL, o governante reforçou que Portugal ocupa atualmente o "3.º ou 4.º lugar" entre os principais mercados emissores de turistas, atrás do Reino Unido e da Alemanha.
O governante salientou ainda que a entrada das companhias ‘low-cost’ em Cabo Verde tornou as tarifas "mais competitivas", facilitando não só o turismo mas também a captação de novos investidores portugueses em áreas como a hotelaria e a agricultura.
Quanto a incidentes recentes envolvendo a detenção de turistas por posse de pequenos objetos de corte (canivetes) ou restrições de vistos, o governante remeteu as decisões para as normas de segurança nacional e migração, sublinhando que "cada país tem as suas regras" que devem ser respeitadas.
Face à presença do país na BTL, o governante afirmou que "Portugal é um mercado muito atrativo para Cabo Verde", não só para os turistas, mas também para novos investidores.
O turismo é o motor da economia cabo-verdiana e mantém-se concentrado nos ‘resorts’ do Sal e da Boa Vista, embora existam algumas iniciativas de descentralização para outras ilhas nos últimos anos.