A presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) apelou ontem para o “desanuviamento” do conflito entre o Paquistão e o Afeganistão, sublinhando que os civis devem ser protegidos e o acesso aos cuidados de saúde garantido.
Num comunicado, a presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, indicou que a sua organização “está a preparar uma resposta operacional às necessidades humanitárias no terreno”, mas defendeu que “nenhuma resposta humanitária poderá substituir-se à vontade política de respeitar as leis da guerra e proceder a um desanuviamento” da tensão.
O Paquistão bombardeou hoje várias grandes cidades afegãs, entre as quais a capital, Cabul, depois de o Governo declarar “guerra aberta” às autoridades talibãs, em resposta a uma ofensiva afegã lançada no dia anterior na sua fronteira.
“Estamos a assistir a uma grave escalada (…). As populações desta região já sofreram décadas de conflito, deslocações e perda de vidas. Viram e sentiram o impacto da guerra nos seus entes queridos e nas suas comunidades”, recordou a responsável da Cruz Vermelha Internacional.
“Os civis, os feridos e todos aqueles que não participam — ou já não participam — nos combates devem ser protegidos, e a ajuda humanitária deve chegar a todos os afetados. Os hospitais devem poder funcionar e o acesso aos serviços essenciais deve ser garantido. Não se trata de privilégios, mas de obrigações decorrentes do Direito Internacional Humanitário”, sustentou.
“De um lado e de outro da fronteira, a prioridade atual é o apoio às instalações de saúde que tratam os feridos nos combates”, explicou Spoljaric.
O Paquistão, uma potência nuclear, e o Afeganistão entram esporadicamente em confronto desde que os líderes talibãs retomaram o controlo de Cabul, em agosto de 2021.
Islamabad acusa as autoridades afegãs de darem abrigo a milícias armadas que lançam ataques sobre território paquistanês, o que o Afeganistão nega.
A maioria desses ataques foi reivindicada pelos talibãs paquistaneses (TTP), um grupo armado que partilha a mesma ideologia dos talibãs afegãos.