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PCP denuncia que mais centros de cirurgia cardíaca vão esvaziar os existentes

Lusa
27-02-2026 16:14h

O PCP denunciou hoje que a criação de novos centros de cirurgia cardíaca para dar resposta ao número de doentes em lista de espera vai esvaziar a capacidade dos centros já existentes.

“O PCP não admite que, à boleia da sobrecarga assistencial dos serviços nos hospitais de S. João [Porto] e de Gaia, se multiplique serviços parciais e disperse meios, que se compita por profissionais e se esvazie a capacidade dos centros existentes”, escreveu hoje a Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP em comunicado.

A 24 de fevereiro, a ministra da Saúde garantiu que o Governo estava “totalmente aberto” à abertura de mais Centros de Responsabilidade Integrada (CRI) na área da cirurgia cardíaca, se a Direção-Geral da Saúde (DGS) e os peritos concordarem.

Em causa está um alerta dado por quatro serviços de cardiologia do Norte para as listas de espera de doentes com problemas cardíacos a necessitar de cirurgia ou de implantação da válvula da aórtica e as declarações dadas à RTP pelo diretor de serviço de Cardiologia da ULS Santo António que revelou que 10 doentes morreram nos últimos três anos devido a uma “lista de espera demasiado elevada” só neste unidade de saúde.

Para o PCP, a saída de profissionais dos centros de cirurgia existentes para novos “colocaria em risco a resposta que atualmente é garantida” e abria porta a que estes procedimentos fossem entregues a grupos de saúde privados.

“Os responsáveis políticos têm procurado reduzir este tema à abertura ou não de novos centros de cirurgia cardíaca e à gestão dos escassos recursos existentes, fugindo ao essencial: que é a política de desinvestimento no SNS que tem vindo a ser seguida pelos sucessivos Governos (do PSD-CDS e do PS, agora com o apoio do CH e IL) que cria assimetrias e competição entre unidades de saúde”, denunciaram os comunistas.

Para a DORP do PCP, a situação atual adensa-se com a “desvalorização das carreiras, na entrega de serviços a prestadores externos, na contratação direta em detrimento da concursal”.

“É inaceitável que, a propósito de um preocupante problema, se agrave a situação e capacidade de resposta, quando há soluções e um caminho que serve a população e os profissionais a partir da defesa e valorização do Serviço Nacional de Saúde”, defendem, sugerindo que o caminho implica enfrentar os “interesses dos grupos privados da doença”.

Para o PCP a resposta às listas de espera exige que haja capacidade de “atrair e reter profissionais altamente especializados no SNS” e pela sua valorização profissional.

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que tinha ordenado uma “avaliação urgente” e disse que a denúncia sobre mortes associadas a eventual ausência de resposta está a ser “analisada com prioridade”.

Questionada na terça-feira sobre a matéria, a ministra lembrou que a rede de referenciação já permitiu a abertura de mais dois CRI na área da cirurgia cardíaca – Braga e Algarve – e disse que o Governo estava disponível para analisar as diversas formas de resolver os atrasos na resposta, mas nunca ultrapassando a competência da direção executiva do SNS e da DGS, assim como da coordenação dos centros de referência.

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