A Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal alertou hoje que o encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital do Barreiro representa um sério risco para a segurança das grávidas e recém-nascidos da península de Setúbal.
Em comunicado, a federação considera que num distrito com cerca de 900 mil habitantes, com elevados fluxos rodoviários e constrangimentos frequentes na mobilidade, esta decisão “traduzir-se-á inevitavelmente num acréscimo de pressão sobre os meios de socorro e num maior risco de partos assistidos fora do contexto hospitalar”.
A ministra da saúde anunciou, no parlamento, que a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento em março da nova urgência regional para a Península de Setúbal.
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Setúbal contesta esta decisão e manifesta preocupação, considerando que "representa um sério risco para a segurança das grávidas e recém-nascidos da península de Setúbal" e que, “apesar da competência e dedicação dos bombeiros e profissionais de saúde, os meios disponíveis no pré-hospitalar não substituem as condições técnicas e humanas de uma unidade hospitalar preparada para responder a complicações obstétricas”.
“Cada parto realizado numa ambulância representa uma situação de maior vulnerabilidade clínica”, sustenta aquele organismo, adiantando que em 2025 foram registados mais de 150 partos em contexto pré-hospitalar a nível nacional com a península de Setúbal a ser apontada como uma das regiões mais afetada por este fenómeno.
Segundo a federação, o fecho da urgência no Barreiro implicará o encaminhamento de grávidas para unidades como o Hospital Garcia de Orta, em Almada, ou o Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, “que têm também enfrentado dificuldades na resposta, aumentando tempos de transporte e reduzindo margens de segurança, sobretudo em situações de trabalho de parto avançado ou emergência súbita”.
Para esta estrutura de bombeiros, o aumento dos partos em ambulância não pode ser encarado como uma inevitabilidade, mas sim como um sinal claro de sobrecarga do sistema e de insuficiência da resposta de proximidade, pelo que apela ao Governo e às autoridades de saúde “para que reavaliem esta decisão, privilegiando critérios de segurança, equidade territorial e proteção da vida”.
O Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, é uma das unidades que integra a Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho e tem como área de influência direta os concelhos de Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, todos no distrito de Setúbal.
Segundo estatísticas da Pordata, os quatro concelhos têm atualmente mais de 232.500 habitantes e a população da região da Península de Setúbal, segundo dados de 2023 do Instituto Nacional de Estatística (INE), é uma das mais populosas do país, com mais de 834.500 habitantes distribuídos por nove concelhos (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Setúbal, Sesimbra e Palmela).