Moçambique registou 20 novos casos de sarampo esta semana, elevando a 679 casos, além de um morto, o total do atual surto, em sete meses, segundo dados oficiais consultados pela Lusa.
Conforme o Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) e que compila dados de 29 de julho de 2025, início do presente surto, até 25 de fevereiro, os casos da doença estão concentrados no centro e norte do país, com um morto (Nampula).
No balanço anterior da DNSP estavam contabilizados até 22 de fevereiro um total de 659 doentes, enquanto em 17 de fevereiro o registo era de 641 casos acumulados de sarampo desde 29 de julho.
Só Sofala conta atualmente com um acumulado de 228 casos, Nampula 195, Niassa 107 e Zambézia 105, as províncias mais afetadas e que continuam a registar novos doentes todas as semanas.
"O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos", alerta a Direção Nacional de Saúde Pública, pedindo a todos os pacientes com sintomas para se dirigirem às unidades de saúde.
Este surto iniciou-se dois anos após uma campanha de vacinação, que, em agosto de 2023, em menos de uma semana, abrangeu cinco milhões de crianças, até aos 4 anos e 9 meses, um número acima do inicialmente estimado, anunciaram então as autoridades, sublinhando que o objetivo foi evitar um surto da doença em cinco províncias.
A campanha de vacinação contra o sarampo e rubéola de todas as crianças dos 09 aos 59 meses decorreu de 31 de julho a 04 de agosto de 2023, em todos os distritos das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, bem como em nove distritos da província de Niassa.
Em conferência de imprensa realizada em agosto de 2023 em Maputo, o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, recordou que a operação, que custou cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) e mobilizou 38 mil técnicos, entre vacinadores, registadores, mobilizadores, previa vacinar 4,8 milhões de crianças.
"Conseguimos alcançar e superar esses números, vacinando cerca de cinco milhões de crianças", apontou.
"É importante que mais uma vez faça o realce de que estes locais foram selecionados porque são aqueles onde nós temos maior número de crianças na nossa avaliação, crianças que não tinham a vacinação contra o sarampo”, sublinhou o responsável.
As perturbações relacionadas com efeitos combinados da pandemia de covid-19 e o aparecimento de outras emergências de saúde pública, admitiu anteriormente o Governo moçambicano, pressionaram os serviços de vacinação e a oferta de outros pacotes de prevenção, incluindo a desparasitação, o que aumentou os riscos de grandes surtos de sarampo no país.
Anteriormente, de janeiro de 2020 até junho de 2023, Moçambique registou 2.565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas províncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afetando sobretudo menores de 5 anos.
Antes da campanha de vacinação de 2023, Moçambique tinha realizado, pela última vez, entre os meses de abril e maio de 2018, a campanha nacional de vacinação contra sarampo e rubéola, tendo vacinado então cerca de 13 milhões de crianças, o que resultou numa redução significativa dos casos nas províncias mais afetadas.