O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) garantiu hoje que, ao ser informado do encerramento do heliporto do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, ativou de imediato soluções alternativas de forma a evitar interrupção do serviço.
Em resposta a perguntas enviadas à agência Lusa, o INEM refere que “de acordo com informação recebida do Hospital Pedro Hispano, o heliporto desta unidade hospitalar encontra-se temporariamente suspenso por determinação da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC)”.
“O INEM ativou de imediato soluções alternativas, garantindo a continuidade da resposta aérea de emergência médica, sem qualquer interrupção do serviço. O Serviço de Helicópteros de Emergência Médica (SHEM) continua a recorrer a locais já anteriormente utilizados, designadamente o heliporto do Hospital de São João, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (Porto) e o heliporto da Corporação de Bombeiros de Baltar”, lê-se na resposta.
É ainda informado que o INEM “aguarda comunicação do Hospital Pedro Hispano relativa à reabertura do respetivo heliporto”.
O heliporto do Hospital Pedro Hispano, da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), teve de ser encerrado porque os canais de descolagem, levantamento e aterragem existentes possuem obstáculos que colocam em risco a operação.
Num documento ao qual a agência Lusa teve acesso na terça-feira, assinado pela diretora do serviço de gestão de risco da ULSM, é explicado que esta decisão decorre de visitas e reuniões técnicas nas quais participaram a ULSM e a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), tendo ficado concluído que “a localização do heliporto, atualmente não é a melhor, dada a sua envolvente”.
“Os canais de aproximação [descolagem/levantamento e aterragem] existentes, com as regras atuais, possuem vários obstáculos, o que coloca em risco a segurança da operação. Não há possibilidade de se alterar o sentido/orientação dos canais de aproximação”, lê-se no relatório, sendo sugerido que “o heliporto atual, que é de superfície, passasse a heliporto elevado, com uma altura aproximada de 10 metros”.
A ULSM possui um heliporto localizado no Hospital Pedro Hispano (HPH), o qual é utilizado, essencialmente, para receber helitransportes com doentes para os hospitais das ULS São João e ULS Santo António, ambos no Porto.
Na terça-feira, questionada pela Lusa sobre esta matéria, a administração da ULSM admitiu que a ANAC recomendou o cancelamento da atividade do heliporto do Hospital Pedro Hispano, pelo que esta foi “suspensa, temporariamente” enquanto a autoridade analisa o processo de autorização de acordo com a legislação em vigor.
As várias entidades envolvidas - INEM, Serviço de Proteção Civil de Matosinhos, Bombeiros de Leixões, além da própria ANAC - foram devidamente informados desta decisão pela ULS Matosinhos”, lê-se na resposta enviada à Lusa.
Hoje, em declarações à Lusa, o presidente da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar (SPEPH), Carlos Silva, alertou que o encerramento do heliporto do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, terá impactos, lamentando que existam várias estruturas sem condições para receber helicópteros”.
“Naturalmente que acarretará sempre impactos, especialmente agora que temos até uma rede de helitransporte que é extremamente ativa e extremamente funcional. Mas, neste país, não temos estudos sobre o impacto dos meios de resposta dos serviços de emergência médica, estudos nos quais possamos basear uma análise. Dizer-lhe quais são os impactos reais é um bocado difícil”, disse Carlos Silva.
A agência Lusa solicitou esclarecimentos junto da ANAC e aguarda resposta.