O presidente da Câmara Municipal de Alcochete classificou hoje o encerramento da urgência de obstetrícia do hospital do Barreiro como um erro estratégico numa região em crescimento demográfico além de “uma grande falta de justiça” para com a população.
Fernando Pinto disse à agência Lusa que considera que a medida deixa para trás a segurança de um conjunto alargado de famílias num território onde o número de partos tem vindo a aumentar.
“Acho que este é um erro estratégico numa região que está em crescimento e, sobretudo, em rejuvenescimento”, disse o autarca de Alcochete, concelho do distrito de Setúbal, adiantando que o seu município, tal como outros do arco ribeirinho sul, está a ter um crescimento demográfico significativo.
A ministra da saúde anunciou hoje, no parlamento, que a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro vai encerrar, no âmbito da entrada em funcionamento em março da nova urgência regional para a Península de Setúbal.
Ana Paula Martins salientou ainda que o encerramento da urgência do Barreiro não significa que o serviço de obstetrícia e ginecologia, que tem “áreas altamente" diferenciadas, "deixe de fazer o seu trabalho e que deixem de se realizar partos programados" nesse hospital.
“Vão continuar a nascer bebés no Barreiro, obviamente. Nem todos os partos são em urgência”, realçou a ministra.
A urgência regional de obstetrícia e ginecologia da Península de Setúbal vai funcionar no Hospital Garcia de Orta, em Almada, com a ministra a prever que possa entrar em funcionamento em março, e será criada uma segunda urgência desse tipo envolvendo as unidades locais de saúde de Vila Franca de Xira e Beatriz Ângelo.
O Hospital Nossa Senhora do Rosário (Barreiro) é uma das unidades que integra a Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho e tem como área de influência direta os concelhos de Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, todos no distrito de Setúbal.
O presidente da Câmara Municipal de Alcochete sublinhou, em declarações à agência Lusa, que o encerramento da urgência de obstetrícia “é uma mancha negra” do Governo liderado por Luis Montenegro.
Para o autarca de Alcochete, ao retirar deste território uma resposta de urgência está a aumentar-se o risco de complicações e potenciais fatalidade para as mães e para os recém-nascidos.
O presidente da câmara de Alcochete disse ainda que esperava que a ministra da Saúde “conseguisse ter a sensibilidade e, sobretudo, o bom senso de recuar naquilo que era o seu pensamento” de encerrar a urgência de obstetrícia.
Fernando Pinto considera também que o legado de António Arnaut, “que deixou em testamento público o Serviço Nacional de Saúde”, não está a ser protegido por falta de investimento público e de cumprimento de promessas que têm vindo a ser feitas pelo primeiro-ministro.
“O primeiro-ministro disse depois de ter tomado posse que ao fim de 60 dias apresentaria um conjunto alargado de soluções, uma delas já percebemos que é, efetivamente, o encerramento da obstetrícia da ULSAR”, disse.
Segundo estatísticas da Pordata, os quatro concelhos têm atualmente 232.604 habitantes e a população da região da Península de Setúbal, segundo dados de 2023 do Instituto Nacional de Estatística (INE), é uma das mais populosas do país, com 834.599 habitantes distribuídos por nove concelhos (Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Setúbal, Sesimbra e Palmela).