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Quénia administrará primeiras doses de novo tratamento contra o VIH em março

Lusa
18-02-2026 12:53h

O Quénia vai começar a administrar em março as primeiras doses de um novo tratamento promissor para a prevenção do VIH/Sida em 15 regiões prioritárias, anunciou hoje o Ministério da Saúde deste país africano.

O lenacapavir é um novo tratamento injetável contra o VIH/Sida que deve ser administrado apenas duas vezes por ano. Segundo os especialistas, representa um enorme progresso em relação aos tratamentos que exigem a toma diária de um comprimido.

O Quénia é um dos nove países africanos selecionados no ano passado para introduzir o lenacapavir, utilizado desde dezembro na África do Sul, em Essuatíni e na Zâmbia.

A África Oriental e a África Austral representam cerca de 52% dos 40,8 milhões de pessoas que vivem com o VIH/Sida no mundo, de acordo com dados de 2024 da ONUSIDA.

O Quénia recebeu na terça-feira o seu primeiro lote de 21.000 doses no âmbito de um acordo celebrado com o fabricante norte-americano Gilead Sciences e o Fundo Mundial de Luta contra o VIH/Sida.

"A primeira fase de implementação começa no início de março e abrangerá 15 condados", indicou o ministro da Saúde queniano, Aden Duale, num comunicado.

"Esperamos mais 12.000 doses até abril", acrescentou.

O ministro precisou que o Governo norte-americano se comprometeu a fornecer ao Quénia, que apresenta uma prevalência de VIH/Sida de 3,7%, mais 25.000 doses do medicamento.

A aplicação do lenacapavir ocorre num momento em que os países africanos enfrentam cortes drásticos na ajuda humanitária, especialmente por parte da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, que afetaram os programas de combate ao VIH/Sida em todo o continente.

O Quénia mantém laços estreitos com os Estados Unidos e assinou em dezembro um acordo de ajuda sanitária no valor de 2,5 mil milhões de dólares (2,11 mil milhões de euros) — o primeiro acordo bilateral deste tipo depois de Trump ter desmantelado a agência norte-americana USAID.

No âmbito deste acordo, os Estados Unidos comprometeram-se a fornecer 1,6 mil milhões de dólares (1,35 mil milhões de euros) ao Quénia ao longo de cinco anos para trabalhar em questões de saúde, nomeadamente a luta contra o VIH/Sida e a malária, bem como a prevenção da poliomielite.

O Quénia deve contribuir com mais 850 milhões de dólares (717,74 milhões de euros) e assumir gradualmente mais responsabilidades. Mas o acordo foi contestado judicialmente por um senador queniano, que alega múltiplas violações da Constituição.

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