Moçambique registou 4.540 novos casos de cólera no atual surto, desde setembro, que provocaram 62 mortos, ultrapassando em metade do tempo o surto anterior, segundo dados oficiais.
De acordo com o último boletim da doença da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 06 de fevereiro, do total de 4.540 casos de cólera contabilizados neste período, 1.930 foram na província de Nampula, com um acumulado de 23 mortos, 1.755 em Tete, com 28 óbitos, e 728 em Cabo Delgado, com oito mortos, além de 72 na Zambézia, com um morto.
No balanço anterior, até 04 de fevereiro, registavam-se 4.340 casos de cólera neste surto, com 61 mortos, pelo que, em dois dias, foram contabilizados mais 200 novos doentes e um morto, na Zambézia.
No surto de cólera anterior, de acordo com os dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.
O atual surto já ultrapassa neste período o número de doentes em metade do tempo do surto anterior.
As autoridades moçambicanas pretendiam vacinar contra a cólera, na última semana, até domingo, mais de 1,7 milhões de pessoas em cinco distritos de quatro províncias do país, designadamente Niassa, Cabo Delgado, Zambézia e Sofala.
O objetivo era "abranger 1.757.229 pessoas com idade igual ou superior a um ano", numa operação de vacinação que vai decorrer nas unidades sanitárias e nas comunidades, através de brigadas móveis, divulgou o Ministério da Saúde.
Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro o ministro da Saúde, Ussene Isse, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.