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Estudo liderado por investigadora portuguesa revela como sistema imunitário identifica células tumorais

Lusa
04-02-2026 14:17h

Um estudo internacional liderado por uma investigadora da Universidade Nova revelou como o sistema imunitário reconhece alterações nos açúcares de células tumorais, o que permite direcionar medicamentos de outra forma, anunciou hoje a instituição.

“Esta descoberta abre novas perspetivas para a deteção precoce do cancro, desenvolvimento de terapias que reforcem a resposta do sistema imunitário e entrega direcionada de medicamentos a células tumorais”, especificou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova, em comunicado, por ocasião do Dia Mundial do Combate ao Cancro, que hoje se assinala.

De acordo com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova, a investigação mostrou como o sistema imunitário identifica células tumorais, num trabalho em que participaram cientistas de Portugal, de Espanha, da Dinamarca, dos Países Baixos e da Suécia.

De acordo com os investigadores, estas alterações funcionam como sinais do cancro.

“A proteína MGL, essencial no reconhecimento imunológico, reage de forma diferente dependendo da sua organização: isolada, liga-se a um tipo específico de açúcar, mas na célula consegue identificar vários tipos, funcionando como um verdadeiro detetor universal” de células tumorais, especificam os autores do trabalho.

O estudo combina abordagens químicas, estruturais e celulares para analisar a interação entre MGL e glicanos tumorais, revelando que a organização celular da proteína e a apresentação dos açúcares na superfície celular são decisivas para o reconhecimento pelo sistema imunitário.

“Os resultados oferecem novas pistas para a deteção precoce do cancro e para o desenvolvimento de terapias mais precisas”, acrescentam.

“Descobrimos que não é apenas o tipo de açúcar que importa, mas também a forma como o recetor imunitário está organizado na célula. Esta perceção pode transformar a forma como desenhamos moléculas para modular a resposta imunitária ou direcionar medicamentos às células tumorais”, explica a investigadora Filipa Marcelo, citada no comunicado.

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