A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) intensificou nas últimas horas a sua resposta de emergência para apoiar as populações devastadas pela passagem da depressão Kristin.
Numa operação complexa de apoio à Proteção Civil, a organização humanitária está a mobilizar meios médicos, energéticos e tecnológicos para o centro do país, com prioridade máxima para os distritos de Leiria e Coimbra. Gonçalo Orfão, Coordenador Nacional de Emergência, alerta para o risco de cheias não ser exclusivo de uma determinada zona geográfica mas que pode afetar Alentejo, Lisboa, a região centro e norte.
Sobre a operação em Leiria, Gonçalo Orfão garante que durante a próxima semana vão ter um reforço de mais 6 mil lonas, além das 3 mil que já receberam. De momento, ainda se avaliam as necessidades.
Em comunicado, a Cruz Vermelha Portuguesa adianta que “ ..a resposta em curso integra apoio médico, logístico e humanitário, com dezenas de ambulâncias mobilizadas em articulação com o INEM, a projeção de equipas especializadas no terreno, a ativação de comunicações por satélite (Starlink) para garantir redundância operacional e a disponibilização de geradores de energia para assegurar o funcionamento de infraestruturas críticas, incluindo estruturas residenciais para pessoas idosas e corpos de bombeiros.”
A Cruz Vermelha lançou ainda a plataforma "Portugal Precisa de Si" para centralizar os donativos e garantir transparência.
Impressionado com a devastação no terreno, Gonçalo Órfão, confessa só ter visto cenários de catástrofe como este fora de Portugal, como em crises humanitárias internacionais, com destaque para a que liderou no terreno em Moçambique como Chefe de Missão da "Operação Embondeiro", a resposta humanitária conjunta da Cruz Vermelha Portuguesa e dos Médicos do Mundo após a passagem do Ciclone Idai.
A mobilização da Cruz Vermelha Portuguesa, surge num cenário de destruição significativa provocado pela tempestade Kristin, em que morreram nove pessoas desde a semana passada. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.