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Médio Oriente: Cruz Vermelha diz ter entregado em Gaza corpos de 15 palestinianos

LUSA
29-01-2026 19:07h

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou hoje que facilitou a entrega em Gaza dos restos mortais de 15 palestinianos, após o regresso a Israel do cadáver do último refém israelita em território palestiniano.

Esta transferência “representa a conclusão de uma operação realizada ao longo de vários meses, que reuniu famílias e apoiou a aplicação do acordo de cessar-fogo”, escreveu o CICV num comunicado.

Na cidade de Gaza, o diretor do Hospital Al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, confirmou que 15 corpos foram hoje transferidos para aquela unidade de saúde.

Nos termos do acordo de cessar-fogo entrado em vigor a 10 de outubro de 2025 entre Israel e o movimento extremista palestiniano Hamas, após mais de dois anos de guerra, Israel deveria entregar 15 corpos de palestinianos por cada corpo israelita que lhe fosse devolvido.

Na segunda-feira, as forças israelitas levaram da Faixa de Gaza os restos mortais do último refém do Hamas, recuperados num cemitério do norte do território.

“A operação começou em outubro, com a libertação e transferência de 20 reféns vivos e 1.808 prisioneiros palestinianos” libertados pelas autoridades israelitas, indicou hoje o CICV, acrescentando que “nas fases seguintes, facilitou a devolução das pessoas mortas, incluindo 27 dos 28 reféns, e 360 palestinianos”.

O Ministério da Saúde do Governo do Hamas confirmou num comunicado que, no total, 360 cadáveres foram entregues por Israel.

Desde o início da guerra de Israel na Faixa de Gaza, a 07 de outubro de 2023, desencadeada pelo ataque, horas antes, do Hamas em território israelita, o CICV ajudou ao retorno de “195 reféns, 35 dos quais falecidos, e 3.472 prisioneiros palestinianos”.

Israel exigiu o regresso dos restos mortais do último refém antes de qualquer novo avanço nas negociações.

A entrega, realizada no início desta semana, abriu caminho à reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Gaza e o Egito, fundamental para o encaminhamento de ajuda humanitária para o território, onde a situação humanitária continua crítica para os mais de dois milhões de habitantes.

Israel e o Hamas acusam-se todos os dias mutuamente de violações dos termos do acordo de cessar-fogo.

O ataque do Hamas que desencadeou a guerra fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, e a retaliação de Israel fez, até agora, mais de 71.600 mortos, entre os quais mais de 20.000 crianças, e mais de 172.000 feridos, segundo números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Este número inclui os cerca de 500 palestinianos mortos pelo Exército israelita na Faixa de Gaza desde a entrada em vigor do cessar-fogo, a 10 de outubro.

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