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Intervenção Cardiovascular da Cova da Beira assinala dois anos com novas cirurgias

LUSA
29-01-2026 18:08h

O tratamento à insuficiência cardíaca em doentes que não podem ser operados são objetivo dos procedimentos estreados hoje pela Unidade de Intervenção Cardiovascular (UIC) da Unidade Local de Saúde (ULS) da Cova da Beira.

A UIC assinala dois anos de atividade no dia 01 de fevereiro, mas a efeméride foi assinalada hoje com a realização de dois procedimentos pioneiros no Hospital Pêro da Covilhã, naquela cidade do distrito de Castelo Branco.

Tratou-se, por um lado, de uma “intervenção valvular mitral com recurso à técnica MitraClip, uma abordagem minimamente invasiva no tratamento da insuficiência mitral, especialmente indicada para doentes de elevado risco cirúrgico”.

O segundo procedimento foi feito “com recurso ao sistema Impella, um dispositivo de assistência ventricular percutânea, que permite suporte hemodinâmico temporário em doentes com disfunção cardíaca grave, aumentando a segurança em procedimentos complexos”.

A descrição é complexa, mas o cardiologista Marco Costa, responsável pela UIC, esclareceu o que se aplica a doentes com “patologia severa, significativa, muitos deles são sintomas coronários agudos, portanto são infartos”, sublinhando que são “tratamentos complementares à cirurgia, para doentes que não podem ser operados”.

O MitraClip “é uma espécie de clipe, uma prótese, que vai juntar dois furetes que estão doentes e que causam uma insuficiência valvular”.

“Desta forma, diminuímos essa insuficiência valvular e melhoramos a qualidade de vida da doente, reduzindo as queixas de insuficiência cardíaca”.

O especialista destacou que o mais importante “é ser um procedimento muito seguro e que não envolve nenhum tipo de técnica cirúrgica, portanto, é minimamente invasivo”.

Para Marco Costa, “a parte mais nobre deste projeto é a medicina em proximidade”, ou seja, “evitar que os doentes façam uma viagem que seria longa, com os perigos inerentes do transporte, para serem tratados noutros centros”, como antes deste serviço se instalar na ULS da Cova da Beira.

São dois anos, mas o balanço deste período é positivo: “Estamos a ter uns tempos magníficos de tratamento deste tipo de doentes, nomeadamente no que diz respeito à Via Verde Coronária”, afirmou Marco Costa, sublinhando que este segundo ano serviu para “solidificar mais a experiência do próprio centro”.

Destacou que este é um trabalho de equipa, “todo o hospital está envolvido nisto, desde o serviço de urgência, obviamente o serviço de cardiologia na sua totalidade e também os cuidados intensivos. Os resultados são mérito de todos”.

Além da intervenção coronária, a UIC “faz também intervenção estrutural, valvular e não valvular”.

No primeiro ano começaram pela intervenção estrutural e não valvular e, hoje, o segundo procedimento realizado referiu-se “à primeira intervenção valvular, um procedimento muito seguro, bastante tranquilo, mas muito diferenciador”.

“Obriga à expertise das equipas que estão envolvidas e, mais uma vez, é um tratamento complementar à cirurgia, para doentes que não poderiam ser operados e encontram nesta via uma forma de tratamento minimamente invasiva”.

Uma conclusão corroborada por Luís Oliveira, diretor do Serviço de Cardiologia: “A criação desta unidade, a hemodinâmica, trouxe uma face diferente ao funcionamento de todo o serviço e até de todo o hospital”.

Acrescentou que o serviço “recebe já a referenciação de doença coronária aguda e não aguda, mas, sobretudo, no que diz respeito à doença coronária aguda, os infartos, tem dado resposta às necessidades da região em termos de intervenção. E depois há alguns infartos que permanecem em internamento antes de ter a alta para o domicílio”, prosseguindo alguns o seguimento no ambulatório do hospital.

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