O PS acusou hoje a ministra da Saúde de fugir ao escrutínio da Assembleia da República e afirmou que o silêncio de Ana Paula Martins perante o agravamento dos problemas no setor é “cada vez mais insustentável”.
“Nunca dissemos que tudo estava bem, nunca dissemos que as soluções eram fáceis. Todos conhecemos as dificuldades e não as ignoramos, só que o muito que funcionava bem no SNS [Serviço Nacional de Saúde] ao fim de dois anos, não melhorou. E as dificuldades existentes pioraram”, começou por afirmar Mariana Vieira da Silva.
Durante o período de declarações políticas na sessão plenária, a deputada socialista assumiu que os anteriores governos socialistas, e que Mariana Vieira da Silva integrou, não conseguiram resolver todos os problemas, mas defendeu que o setor melhorou durante os oitos anos sob a liderança de António Costa.
“Temos mais dificuldade no acesso aos profissionais de saúde, temos menos integração de cuidados, temos o INEM a responder pior e temos mais tempos de espera, principalmente por causa da instabilidade que esta ministra da Saúde tem trazido ao SNS”, continuou.
Sublinhando as diferentes dimensões em que considera que a Saúde piorou durante os últimos dois anos, Mariana Vieira da Silva sublinhou, no entanto, que “nada é mais chocante que a ausência da ministra da Saúde”.
“Não dar a cara é imperdoável, não dar a cara é irresponsável, e é visível para todos, menos para o primeiro-ministro, que não dar a cara é cada vez mais insustentável”, afirmou.
Prosseguindo as críticas ao silêncio de Ana Paula Martins, Mariana Vieira da Silva confirmou ainda uma acusação feita na véspera pelo Chega, segundo o qual a ministra da Saúde teria informado naquele dia que estaria indisponível para comparecer numa audição regimental na comissão parlamentar de Saúde agendada há vários meses.
Em resposta à deputada Marta Silva, do Chega, que num pedido de esclarecimento voltou a referir a indisponibilidade da ministra, Mariana Vieira da Silva afirmou que, na atual legislatura, é a primeira vez que a governante desmarca uma audição, “mas na última legislatura foram praticamente todas as audições”.
Na sequência da acusação feita pelo Chega na quarta-feira, o Ministério dos Assuntos Parlamentares esclareceu, em comunicado, que a ministra da Saúde não cancelou a sua ida ao paramento, disponibilizando-se para, em alternativa, ser ouvida pela comissão parlamentar de Saúde no dia 18 de fevereiro.
No âmbito dos pedidos de esclarecimento, vários partidos disse concordar com as críticas apontadas pela deputada socialista, mas atribuíram também responsabilidades ao PS.
À direita, Joana Cordeiro, da IL, questionou “onde o PS esteve durante oito anos”, argumentando que todos os problemas apontados por Mariana Vieira da Silva correspondem à realidade atualmente, mas existiam igualmente durante o período de governação socialista.
Antes que Mariana Vieira da Silva tivesse oportunidade de responder, Fabian Figueiredo, do BE, dirigiu-se à bancada liberal para questionar se Joana Cordeiro “conhece algum país onde o modelo proposto pela IL funcione melhor que o Serviço Nacional de Saúde”.
Também à esquerda, Isabel Mendes Lopes, do Livre, alertou que os portugueses estão a perder a confiança na prestação de cuidados de saúde e, reconhecendo como inevitável o papel do setor privado, disse que “não pode ser um sistema concorrencial”.
Pelo PCP, Paula Santos acusou o Governo de levar a cabo um “plano deliberado de desmantelamento do SNS”, mas recordou também quando, há quatro anos, o PS – na altura partido do Governo – inviabilizou propostas dos comunistas de valorização dos profissionais de saúde.
Já Inês Sousa Real, do PAN, lamentou que os socialistas tenham, em diversas ocasiões, dado a mão ao PSD para inviabilizar propostas do partido para o SNS.
Pelo PSD, partido que apoia o atual executivo, Francisco Sousa Vieira acusou o PS de ter “desarrumado completamente a casa” quando esteve no Governo.
“Este Governo, assim que tomou posse, começou a arrumar. O PS vai finalmente ajudar a arrumar o que desarrumou?”, questionou o social-democrata.