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“O problema do SNS não é só a falta de médicos, é a má gestão”, afirma Luísa Ximenez

CANAL S+
28-01-2026 18:23h

A falta de gestão nos serviços de urgência é um dos principais problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mais do que a escassez de profissionais. A ideia é defendida por Maria Luísa Ximenez, que considera que a ausência de uma liderança forte e reconhecida compromete o funcionamento dos serviços, sobretudo, em contextos de carência de recursos humanos. 

Maria Luísa Ximenez sublinha que, apesar de se falar, frequentemente, na falta de médicos e enfermeiros, o problema central passa pela forma como os recursos são geridos. A responsável defende que é possível organizar melhor os serviços, mesmo em cenários difíceis, desde que exista uma liderança eficaz, presente no terreno e capaz de orientar as equipas. Para Ximenez, quando há falta de profissionais, torna-se ainda mais essencial saber gerir essa escassez, algo que considera não estar a acontecer de forma adequada nos serviços de urgência.
Além das questões relacionadas com a gestão, Maria Luísa Ximenez critica a falta de avanços na valorização do papel dos enfermeiros, nomeadamente ao nível da prescrição. A enfermeira-chefe da ULS Amadora-Sintra recorda as expectativas criadas com a atual ministra da Saúde, que inicialmente demonstrou abertura ao diálogo com a classe, mas lamenta que, passados dois anos, nada tenha mudado.

A responsável considera urgente a criação de legislação que permita aos enfermeiros prescrever determinados atos e medicamentos, defendendo que estas mudanças exigem coragem política. Maria Luísa Ximenez aponta ainda responsabilidades à Ordem dos Enfermeiros, que, na sua opinião, deveria ter uma atuação mais assertiva na defesa destas medidas, questionando os motivos pelos quais as promessas feitas continuam por cumprir.
As declarações no programa "Efeito Placebo" do Canal S+ reforçam o debate em torno da organização do SNS e do papel dos enfermeiros no sistema de saúde, numa altura em que os serviços de urgência continuam sob forte pressão e em que a gestão dos recursos humanos se mantém como um dos principais desafios do setor. 

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