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Associação protetora dos diabéticas quer criar instituto para prevenir doença

Lusa
28-01-2026 17:13h

A Associação Protetora de Diabéticos de Portugal (APDP) quer criar um instituto direcionado à prevenção da diabetes, anunciou hoje o presidente da organização à Lusa, a propósito do início das celebrações dos 100 anos da APDP, na quinta-feira.

“Nós queremos criar uma rede de gestores de prevenção da diabetes por todo o país que encontrem as pessoas com pré-diabetes e que possam promover a educação dessas pessoas para evitar que venham a desenvolver diabetes”, afirmou à Lusa José Boavida, sendo esta uma das medidas do instituto para combater a doença.

O instituto vai focar-se em três áreas: a prevenção da diabetes tipo 2 e 1 e na redução da obesidade, a principal causa da diabetes tipo 2, segundo o presidente da APDP.

A diabetes tipo 1 caracteriza-se pela destruição das células produtoras de insulina por parte do sistema imunitário e o tipo 2 pela resistência do organismo à ação da insulina, estando o segundo tipo associado a maus hábitos alimentares e um estilo de vida pouco ou nada ativo.

A insulina é uma hormona, produzida no pâncreas, que transporta o açúcar do sangue para dentro das células, sendo que sem ela os açúcares acumulam-se no sangue, originando a doença diabetes.

Para a prevenção da diabetes tipo 2, os profissionais da APDP deverão assim ir a “associações, coletividades, instalações que as autarquias possam ceder para se fazer formações de grupo, ensino individual, promoção de uma alimentação mais saudável, promoção da atividade física, promoção de atividades que levam a cabo a prevenção” da doença, explicou José Boavida.

A iniciativa também irá atuar em escolas e jardins-de-infância, considerando o presidente da APDP que é por volta dos 4 anos de idade que se deve começar a trabalhar na prevenção da doença.

Em relação à diabetes tipo 1, o projeto da APDP “Um dedo que advinha” - que já faz rastreios em crianças e jovens - também será integrado no instituto.

Para a prevenção da obesidade, José Boavida referiu que serão realizadas formações, também em conjunto com as autarquias, para “estimular a atividade física, estimular um maior consumo de vegetais, uma alimentação baseada nos vegetais e promover atividades de grupo que incentivem e motivem as pessoas a mudarem o seu estilo de vida”.

O presidente da APDP adiantou que ainda não há financiamento para criar o instituto, mas que já pediu donativos a investidores, a amigos da associação, entre outras pessoas e entidades que possam financiar o projeto.

O objetivo é que o instituto seja lançado este ano. A APDP já está em conversações com o Governo para a cedência de um edifício no Parque da Saúde, em Lisboa, que venha a ser a base da nova equipa, segundo o presidente da APDP.

O presidente da APDP disse que há cerca de um milhão e meio de pessoas com diabetes em Portugal e dois milhões e meio de pessoas com pré-diabetes, ou seja, que têm tendência para vir a desenvolver diabetes.

Para José Boavida, os números mostram a necessidade de criar um instituto para prevenir e combater a doença.

A Associação Protetora de Diabéticos de Portugal, que faz 100 anos no dia 13 de maio e inicia as comemorações esta quinta-feira com uma sessão em que será revelado o calendário de eventos do centenário e lançado, pela primeira vez, o prémio de jornalismo Ernesto Roma.

A APDP recebeu 18.667 utentes no ano passado, mais 609 que em 2024, disponibilizando acompanhamento clínico e informações sobre a diabetes.

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