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Internato Médico alerta para urgência de haver mais médicos graduados para formar jovens

Lusa
28-01-2026 11:59h

O Conselho Nacional do Internato Médico (CNIM) alertou hoje para a urgência de haver mais médicos graduados para garantir a formação nas especialidades, e de acoplar habitação às vagas do internato médico, para incentivar a escolha destes locais.

Ouvido hoje pela comissão parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre as vagas por preencher no internato médico, o presidente do CNIM, João Carlos Ribeiro, chamou a atenção para o facto de a falta de graduados e graduados sénior dificultar também a formação dos júris nos concursos, que, assim, não podem concretizar-se.

“Quando dizemos que pode haver 350 vagas para [assistentes] graduados sénior, depois têm de abrir o mesmo número de júris [formados por graduados sénior] para que isso aconteça”, lembrou o responsável, questionando: “Quantos não podem ser concretizados porque já não há graduados sénior?”

Na terça-feira, o Sindicato dos Médicos do Norte alertou para o impasse nos concursos para o grau de consultor – necessário para aceder à categoria de assistente graduado -, alegando que isso faz com que milhares destes profissionais de saúde estejam com a carreira bloqueada.

Lamentou ainda que o concurso para obtenção de grau de consultor referente a 2025 ainda não tenha sido aberto e disse que o de 2023 ainda não está concluído.

Hoje, o presidente do CNIM disse que este órgão há muitos anos que alertou para o facto de, a prazo, a contratação de médicos tarefeiros acabar por prejudicar a formação médica, pois os jovens médicos acabam por conseguir escolher horários e ganhar mais contratados à tarefa e, como não têm as condições adequadas no Serviço Nacional de Saúde, optam por não escolher as vagas abertas para o internato médico (especialidade).

Sobre as condições necessárias para atrair estes médicos para as especialidades e conseguir retê-los no SNS, João Carlos Ribeiro elogiou o anterior ministro da saúde – Manuel Pizarro – que iniciou o sistema em que os jovens médicos concorreriam para uma vaga em determinado local com o compromisso de estarem em mobilidade algum tempo em outro local, eventualmente mais carenciado.

“Chegou a reunir com a ANMP [Associação Nacional dos Municípios Portugueses]”, disse o presidente do CNIM, sublinhando a importância de, além de conhecer o mapa de necessidades, acoplar a cada vaga condições de habitação, com o apoio das autarquias.

Questionado pelos deputados sobre as especialidades de Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna, reconheceu que há especialidades com maiores dificuldades formativas e lembrou que estas são duas especialidades chave do SNS.

“Se não tivermos formadores de Medicina Interna não conseguimos segurar o barco. É assustador”, disse o especialista, confessando: “Neste momento, não deixo ninguém da minha família chegar a uma urgência do país sem saber quem lá está”.

Diz que a capacidade formativa está “no limite” e que mais importante do que saber quantos concursos há é saber “quantos se concluem e em que áreas”, além de saber quantos especialistas acabam por sair do SNS.

Sobre as condições para que os jovens médicos escolham as especialidades, apontou motivos básicos como o material (mesa e cadeira) e o ‘software’.

“E se lhes disser que se tiver mais uma cadeira e uma mesa num sitio posso ter mais uma capacidade formativa em Medicina Geral e Familiar e se tiver um ‘software’, que custa 800 euros e é partilhado, conseguiria ter mais uma em Saúde Pública?”, questionou, insistindo: “e não estou a brincar”.

Lamentou igualmente a substituição de órgãos intermédios “de dois em dois anos”, sublinhando: “se tivermos de começar do zero de dois em dois anos, até é dificil explicar a diferença entre médico interno e médico de medicina interna”.

A este respeito, apontou a proposta para criação de um instituto com autonomia para formação em saúde pós graduada: “Não podemos ter melhor qualidade sem ter formadores e sem ter as pessoas certas no local certo”.

“Ainda temos capacidade para formar (…). Quando não tivermos o que vamos fazer?”, perguntou, recordando que, neste momento, há mais do dobro de internos em formação comparativamente com alguns anos atrás, mas metade dos assistentes graduados e graduados seniores, que “são os formadores e verdade”.

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