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Sintra aprova moção contra fecho e pede reabertura de Unidade de Saúde Mental na vila

LUSA
27-01-2026 19:12h

A autarquia sintrense aprovou hoje, por unanimidade, uma moção contra o encerramento da Unidade de Saúde Mental de Sintra, que obriga os munícipes a recorrerem às urgências ou a Lisboa, exigindo ao Governo que reverta a decisão.

Na moção “Pela Promoção da Saúde Mental”, apresentada pelos vereadores do Partido Socialista, a autarquia deliberou, na reunião pública do executivo, “exigir ao Governo a adoção de medidas que permitam reverter o encerramento da Unidade de Saúde Mental de Sintra”.

No documento, salienta-se que “o fecho de unidades de saúde mental gera consequências graves para os utentes e suas famílias” e que “os problemas de saúde mental em Portugal têm registado um agravamento acentuado nos últimos anos, consolidando-se em 2026 como um dos principais desafios de saúde pública do país”.

“Em Sintra, o Ministério da Saúde decidiu fechar a unidade instalada na Rua Alfredo Costa e impor aos munícipes que passem a ter de se deslocar ao Hospital Júlio de Matos em Lisboa”, refere-se na moção.

As consequências do encerramento do Cintra - Centro Integrado de Tratamento da Saúde Mental em Sintra sem alternativa adequada são a “interrupção de tratamentos”, que “pode levar a recaídas graves e crises agudas”, e o “isolamento e exclusão social”, pois “sem estruturas de apoio ou reabilitação muitos doentes enfrentam solidão, o que agrava a patologia mental e aumenta o risco de doenças físicas”.

A “sobrecarga dos cuidadores”, com as famílias a assumirem “frequentemente o papel de prestadores de cuidados a tempo inteiro”, muitas vezes sem formação ou meios, e o recurso “às urgências hospitalares gerais para situações que poderiam ser geridas em ambulatório” são também apontados.

Em termos financeiros, “embora o fecho de unidades de proximidade possa parecer uma poupança, a falta de prevenção através de equipas comunitárias gera custos elevados em internamentos” de casos agudos, sublinha-se.

O vereador Eduardo Quinta Nova (PS) explicou que “nunca esteve em cima da mesa, ao longo de todos estes anos, a possibilidade de encerramento desta estrutura”, que apanhou de surpresa autarcas, utentes e as suas famílias.

Segundo o autarca, que no anterior mandato teve os pelouros da Saúde e Ação Social, a unidade respondia “numa lógica de proximidade” aos munícipes de Sintra, Algueirão-Mem Martins, São João das Lampas e Terrugem, Almagem do Bispo, Pero Pinheiro e Montelavar, embora sempre ligado ao Centro Hospitalar e Psiquiátrico de Lisboa.

“Quando temos um aumento do número de pessoas a carecer deste tipo de cuidados de saúde, aquilo que o Governo devia estar a fazer era aumentar nos territórios a prestação destes cuidados de saúde e não retirá-los, não fechá-los”, advogou Quinta Nova.

Na apresentação de outra moção pela criação de um programa de médicos ao domicílio, Ana Mendes Godinho (PS) notou que a situação “na ULS [Unidade Local de Saúde] Amadora-Sintra ultrapassa, neste momento, as 190 mil pessoas sem médico de família”.

A vereadora apelou à união “para permitir que de uma forma preventiva haja uma rede de médicos ao domicílio para diminuir as idas às urgências”, mas também “preventivamente a capacidade de acompanhamento” de “doenças crónicas”, e “incentivos à fixação de profissionais de saúde nas unidades” do concelho.

O presidente da autarquia, Marco Almeida (PSD), considerou que as “duas moções suscitam reflexão” e avançou que “estarão para ingressar mais oito médicos de família nas unidades de saúde de Rio de Mouro, Algueirão e Lapiás, em Pero Pinheiro”.

Para o autarca, o atraso na nomeação da nova administração da ULS Amadora-Sintra tem dificultado ter “um interlocutor válido e útil” e assegurou que a concentração dos serviços de saúde mental no Hospital de Proximidade de Sintra será defendida “junto do Governo” e, sobretudo, da “ministra da Saúde”.

Na segunda moção, o executivo recusou a criação de “um programa de Médicos ao Domicílio para garantir o acesso a cuidados de saúde essenciais, como consultas de rotina e o acompanhamento de doenças crónicas”, mas aprovou, com abstenção do Chega, “criar um programa de incentivos à fixação de profissionais nas unidades da ULS do concelho de Sintra”.

O executivo aprovou ainda “reiterar junto do Governo a necessidade de implementação de medidas concretas para resolver a situação dramática que se vive nos Centros de Saúde do concelho de Sintra e no Hospital Fernando Fonseca e que seja aproveitado todo o potencial do novo Hospital de Sintra”.

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