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Cheias destroem 180 mil hectares de produção e 150 mil cabeças de gado em Moçambique

LUSA
22-01-2026 19:04h

Mais de 180 mil hectares de produção agrícola estão inundados e mais de 150 mil cabeças de gado foram perdidas nas cheias em Moçambique, anunciou hoje o Governo, dando conta de ligeira redução nos níveis de algumas barragens.

“Foram inundados 186.735, sendo 100.472 hectares na província de Gaza, nos distritos de Chókwè e Massingir, 51.572 hectares na província e cidade de Maputo, nos distritos de Magude, Manhiça e Namaacha, 20 mil hectares na província de Inhambane e 4.691 hectares na província de Sofala, nos distritos de Búzi, Gorongosa e Chibabava”, disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa em balanço diário dos impactos das inundações no país. 

Com relação aos impactos no setor da pecuária, o Governo destacou a perda de 55.835 cabeças de gado bovino, 7.749 cabeças de gado caprino e 1.237 de gado ovino, somente na província de Gaza, uma das mais afetadas. 

“A Província de Maputo regista perdas de 47.109 cabeças de gado bovino, 23.372 de gado caprino e 7.920 suínos, afetando 4.337 criadores”, disse Impissa.

O balanço do Governo refere que, na região Sul, as bacias hidrográficas dos rios Maputo, Umbelúzi, Incomáti, Limpopo, Inhanombe, Mutamba e Save, continuam a registar volume alto de escoamento, e apesar da redução mantêm-se acima do alerta e continua o cenário de inundações em zonas baixas e ribeirinhas nas bacias de Umbelúzi, Incomáti e Limpopo, afetando áreas habitacionais, agrícolas e condicionando a transitabilidade rodoviária.

Por outro lado, as barragens dos Pequenos Libombos, Massingir e Corumana, registam redução de nível de armazenamento, podendo atingir as cotas de segurança nas próximas 72 horas.

Com relação à barragem de Senteeko, na África do Sul, o Governo disse que persiste o risco de inundações, visto que os caudais da barragem continuam altos.

Em relação ao setor da saúde, o executivo estabeleceu, nas províncias de Gaza e Maputo, 49 postos médicos que atenderam, até à última quarta-feira, 1.305 pacientes, sendo 495 com diarreia aguda, 459 com malária e 352 com infeções respiratórias agudas, detalhou o porta-voz.

“Perante esta situação, o setor da saúde está a reforçar as medidas de vigilância epidemiológica através da monitoria dos canais endémicos, bem como a realocação dos medicamentos e outros insumos em áreas seguras”, referiu, acrescentando que foram ainda disponibilizadas 40.350 redes mosquiteiras para distribuição nos centros de acomodação.

Pelo menos 13 pessoas morreram e 585.627 foram afetadas desde 07 de janeiro nas cheias generalizadas que se registam em Moçambique, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, consultada pela Lusa e com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 127.486 famílias, com registo de 2.867 casas parcialmente destruídas, 743 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique e 723.532 pessoas foram afetadas, segundo o INGD.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

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