A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, considerou hoje no Porto que o facto de o concurso de segunda época ter ficado com 60% das vagas de medicina familiar por preencher tem razões para além do aspeto financeiro.
“Admito que não seja puramente uma questão financeira, porque daquilo que temos vindo a escutar e também de estudos que têm sido feitos é evidente que a questão financeira tem importância, mas não é a única, por isso é que as vagas carenciadas também não dão completamente resposta a esta matéria”, afirmou a governante após ter participado na conferência “Futuro da Saúde na Europa”.
Ana Paula Martins citou, como outras razões, “o plano de carreira, a flexibilidade, as pessoas hoje quererem ter, nomeadamente os nossos jovens especialistas, jovens médicos, também uma relação entre a vida pessoal e familiar mais equilibrada e ali estão, de facto, muitas vezes deslocados da zona onde trabalham, deslocados no sentido habitacional”, disse referindo-se ao concurso para Lisboa e Vale do Tejo.
Questionado sobre soluções para este problema, a ministra lembrou ser este “um trabalho que a Direção Executiva [do Serviço Nacional de Saúde] tem estado a fazer, assinalando ser “quase como um trabalho cirúrgico”.
Reconhecendo que vão ficar vagas por preencher, Ana Paula Martins trouxe outros números para a conversa afirmando que “há mais 24 mil utentes que vão ter médicos” de família.