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CDS-PP considera criação de unidade de hemodinâmica no hospital da Terceira uma necessidade

Lusa
15-01-2026 15:13h

O líder parlamentar do CDS-PP nos Açores disse hoje que a criação de uma unidade de hemodinâmica no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira “é uma necessidade” e deve ser encarada como um direito dos açorianos.

O Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) reabriu, na segunda-feira, a unidade de cuidados intermédios cardíaca, uma vez que a unidade que existia não foi continuada com a mudança para o novo edifício, em 2012.

“A inauguração da unidade coronária, esta semana, é um passo para a concretização de uma correção”, disse hoje Pedro Pinto, numa declaração política no plenário da Assembleia Legislativa Regional, na Horta.

O deputado referiu que o partido “reconhece este avanço, porque existiu uma injustiça que se prolongou demasiado no tempo, mas também afirma que a unidade coronária no HSEIT só fará pleno sentido se for entendida como parte de um percurso mais amplo”.

“A criação de uma unidade de hemodinâmica não é um luxo, é uma necessidade e deve ser encarada como um direito dos açorianos, não como um favor. É esta a visão que o CDS continuará a defender. Uma região onde o código postal não determina a probabilidade de sobreviver”, concretizou.

Pedro Pinto referiu que a reativação da unidade de cuidados intermédios cardíacos no hospital da ilha Terceira é “uma boa notícia para os Açores, para todos os açorianos e em particular para os residentes na ilha Terceira, nos grupos Ocidental e Central”.

“Significa que muitos doentes passam a poder ser tratados com mais celeridade, com menos possibilidades de complicações clínicas”, disse.

Na intervenção, Pedro Pinto lembrou ainda que o caminho “não começou hoje”.

“Em 2012, o CDS, pela voz do seu então líder parlamentar, Artur Lima, lutou contra a extinção do serviço de cardiologia e das unidades de cuidados intensivos e intermédios cardíacos no hospital da ilha Terceira, quando o hospital passou para as novas instalações. Alertou e propôs a reversão, por diversas vezes, do erro cometido com a extinção deste serviço e destas unidades”, disse.

Os alertas, continuou, não eram “alarmismo político, mas sim uma posição sustentada em normas clínicas, boas práticas internacionais e num princípio elementar de equidade”, porque “os açorianos que vivem nos grupos Central e Ocidental não podiam ser cidadãos de segunda no acesso à saúde”.

“Ao longo destes anos o CDS tem defendido que o hospital da Terceira deve dispor de capacidade própria para intervir rapidamente em situações cardíacas agudas, garantindo complementaridade e redundância no Serviço Regional de Saúde”, concluiu.

No debate que se seguiu, o líder parlamentar do Chega, José Pacheco, disse que o CDS-PP fez uma intervenção “justa” e “correta”, enquanto o deputado Paulo Chaves (PSD) observou que a inauguração da unidade de saúde “esvazia a narrativa” do PS de que o hospital da Terceira “estava a ser esvaziado” em serviços essenciais.

Para Nuno Barata (IL), o investimento no HSEIT é um bom exemplo de que os investimentos em vários pontos do arquipélago “servem todos os açorianos”.

Por sua vez António Lima (BE) saudou a reabertura do serviço e aproveitou para desafiar o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para “aproveitar a embalagem” e acabar com o “crescente número de trabalhadores” do HSEIT a recibos verdes.

O líder parlamentar do PS, Berto Messias, também considerou que a reabertura da unidade “é uma boa notícia”, no âmbito dos serviços de saúde prestados pelo HSEIT aos utentes e à região, e abre a possibilidade à abertura de uma unidade de hemodinâmica.

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, salientou que o dia de hoje era “particularmente feliz” pelo reconhecimento de uma unidade que foi a primeira na região (1988) e que tinha encerrado em 2012.

Mónica Seidi lembrou que o hospital conseguiu em 2025 a idoneidade formativa para duas especialidades que nunca teve (pediatria, medicina física e reabilitação) e “está à beira de conseguir a idoneidade parcial” para a especialidade de anestesiologia.

Além disso, acrescentou, recebeu uma aluna de formação de ginecologia/obstetrícia e 173 formandos de várias categorias profissionais do setor da saúde.

Por outro lado, a governante garantiu que o executivo regional estará sempre ao lado do conselho de administração a “apoiar políticas que possibilitem” futuro para o HSEIT.

Durante a manhã, o líder parlamentar do Chega fez ainda uma declaração política, intitulada “Mudar Portugal”, que dirigiu o debate para o tema das eleições presidenciais de domingo.

Na intervenção, José Pacheco afirmou que Portugal precisa urgentemente de coragem política para “enfrentar resistências, romper com vícios antigos e dizer o que muitos pensam, mas poucos ousam afirmar”.

“Se queremos mudar Portugal, temos de acabar com experimentalismos, aventuras e políticas de ziguezagues”, disse.

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