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Pequenas melhorias na atividade física, sono e alimentação reduzem risco de mortalidade

Lusa
13-01-2026 23:30h

Alguns minutos mais de atividade física moderada por dia e de sono, assim como comer um pouco mais de vegetais estão ligados a menores riscos de mortalidade, indicam dois estudos publicados hoje.

Um dos estudos, divulgado na revista médica The Lancet, revela que “caminhar a uma velocidade média de 5 km/h (quilómetros por hora) durante cinco minutos extra por dia, está associada a uma redução de 10% em todas as mortes na maioria dos adultos (…) e a cerca de 6% de todas as mortes nos adultos menos ativos”.

Um outro, divulgado na eClinicalMedicine (parte do conjunto de revistas The Lancet Discovery Science), refere que, “para as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, fazer alguns ajustes combinados nestes comportamentos pode ter um impacto significativo na esperança de vida”.

Mais cinco minutos de sono, dois minutos de atividade física moderada a vigorosa (como caminhar rapidamente ou subir escadas) e meia porção adicional de vegetais por dia seriam suficientes para, teoricamente, os indivíduos com piores hábitos de sono (5,5 horas/dia), atividade física (7,3 min/dia) e nutrição (pontuação de qualidade da dieta de 36,9/100) ganharem um ano extra de vida, segundo um comunicado do grupo Lancet de divulgação dos dois trabalhos.

Neste texto é também dito que a referida redução de 10% em todas as mortes ligadas a mais cinco minutos de atividade física moderada diz respeito a todos os adultos, exceto os 20% mais ativos da população, enquanto a de cerca de 6% é relativa aos 20% menos ativos da população, “aqueles que são ativos nesta intensidade em média durante cerca de 2 minutos por dia”.

O primeiro dos estudos referido também descobriu que “a redução do tempo sedentário em 30 minutos por dia estava associada a uma redução estimada de 7%” nas mortes da maioria dos adultos, com 10 horas por dia de vida sedentária, e “a cerca de 3%” dos mais sedentários, 12 horas/dia em média de sedentarismo.

“O maior benefício foi observado quando os 20% menos ativos da população aumentaram a sua atividade em 5 minutos por dia”.

Tendo analisado dados de mais de 135.000 adultos em sete coortes (grupos com características comuns) na Noruega, Suécia e Estados Unidos, bem como do Biobanco do Reino Unido, com um seguimento médio de oito anos, o estudo constatou ainda que mais 10 minutos diários de atividade física moderada poderia levar “a uma redução de 15% das mortes entre a maioria dos adultos e a uma redução de 9% entre os menos ativos”.

Já uma redução de uma hora no tempo sedentário entre a maioria dos adultos foi associada a uma redução de 13% em todas as mortes e a uma redução de 6% entre os adultos menos ativos.

Segundo o comunicado, “o efeito global destas alterações menores e alcançáveis no risco de morte da população em geral não tinha sido estudado anteriormente”.

Também o estudo divulgado na eClinicalMedicine é o primeiro do tipo “a investigar as melhorias mínimas combinadas no sono, na atividade física e na alimentação necessárias para conduzir a uma esperança de vida significativamente mais elevada e a anos vividos com boa saúde”.

Neste caso foram analisadas quase 60.000 pessoas da coorte do Biobanco do Reino Unido, recrutadas entre 2006 e 2010 e seguidas durante uma média de oito anos, tendo os autores utilizado um modelo estatístico para calcular a esperança de vida e os anos vividos com boa saúde com diferentes variações de comportamentos.

“Comparativamente com as pessoas com os piores hábitos de sono, atividade física e alimentação, o modelo sugeriu que a melhor combinação destes comportamentos — sete a oito horas de sono por dia, mais de 40 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa e uma alimentação saudável — estava associada a mais de nove anos adicionais de esperança de vida e a anos vividos com boa saúde”, indica o comunicado.

“Os autores salientam que a relação combinada entre o sono, a atividade física e a alimentação é superior à soma dos comportamentos individuais”, adianta.

Estas descobertas podem ser úteis para incentivar as pessoas com hábitos inadequados nestas áreas a tentarem mudar os seus comportamentos, no entanto, os investigadores alertam que são necessários mais estudos para analisar a sua aplicação “na prática clínica e de saúde pública”.

Os autores do estudo divulgado na revista The Lancet sobre os benefícios da atividade física e as consequências danosas do sedentarismo assinalam que as descobertas sobre o impacto de mesmo pequenas mudanças positivas na saúde pública “visam destacar os potenciais benefícios para a população como um todo e não devem ser utilizadas como aconselhamento personalizado”.

E recomendam que se faça mais investigação, utilizando dispositivos usados pelo utilizador (como os relógios que registam os batimentos e ritmos respiratórios) para monitorização de atividades, nos países de rendimento baixo e médio, “onde a idade, os níveis de atividade e os riscos para a saúde das pessoas podem diferir significativamente” dos deste estudo.

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