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Sindicato denuncia "exaustão" dos médicos do Hospital de Braga, ULS desdramatiza

LUSA
13-01-2026 18:58h

A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou hoje para a “exaustão” dos profissionais de saúde do Hospital de Braga, sublinhando que na semana passada houve equipas que chegaram a ter 40 utentes a seu cargo.

Em declarações aos jornalistas durante um protesto à porta daquele hospital, Joana Bordalo e Sá sublinhou que médicos e profissionais cansados “são sempre um risco para si próprios e também um risco para os doentes”.

“Cada equipa não devia ter mais de 10 doentes”, referiu.

Segundo a dirigente, na semana passada estavam internados no Serviço de Medicina Interna do Hospital de Braga cerca de 270 doentes, quando só haverá capacidade para 120.

“Têm sido sempre à custa de horas extras, à custa da exaustão dos profissionais de saúde, com equipas que estão completamente esgotadas”, criticou.

Também em declarações aos jornalistas, o presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, Américo Afonso, sublinhou que houve uma “anormal” afluência ao hospital em consequência da gripe, mas garantiu que nenhum doente ficou sem resposta e que desde segunda-feira a situação está “perfeitamente normalizada”.

“Mas o funcionamento da ULS de Braga sempre esteve sob controle”, vincou.

Disse confiar “integralmente” na competência e na prudência dos profissionais do Hospital de Braga, para assegurar as “melhores condições de segurança possíveis”.

A presidente do SMN acusou ainda a ULS de não disponibilizar o plano sazonal de contingência, mas Américo Afonso garantiu que o documento “está acessível a todos os profissionais da instituição”.

“A sua atualização foi devidamente articulada internamente e tornada pública. Este é um plano vivo, que não se esgota em documentos: é pensado de raiz e aplicado todos os dias, em função da avaliação contínua da realidade”, afirmou.

O sindicato pediu também explicações relativamente à suspensão, há pelo menos dois meses, do funcionamento do equipamento PET/CT, um exame de imagem avançada que combina duas técnicas num único procedimento: o PET, que avalia a atividade metabólica das células, e o CT (TAC), que fornece imagens anatómicas detalhadas.

Américo Afonso disse que o equipamento está avariado e que o processo de reparação está em fase final.

“Aproveito para adiantar que estamos já em vias de adquirir um novo equipamento semelhante, ao abrigo do PRR, com concurso a ser lançado ainda este mês, reforçando, assim, a capacidade diagnóstica da ULS Braga nos próximos meses”, adiantou.

Joana Bordalo e Sá questionou também o facto de estarem a ser pagos a laboratórios privados exames de biopsias, “que deixam de ser analisados no hospital devido ao bloqueio no pagamento aos médicos”.

A administração do hospital garante que tem vindo a trabalhar para reduzir a dependência de prestadores externos e inverter tendências do passado.

Outra questão levantada pela líder sindical tem a ver com a situação de doentes com aneurismas cerebrais rotos, que durante o fim de semana estão a ser transferidos para unidades hospitalares do Porto, mas Américo Afonso deixou uma mensagem de tranquilidade.

“O funcionamento em rede do Serviço Nacional de Saúde tem garantido resposta adequada e atempada. Nenhum doente ficou sem tratamento. Quando necessário, foram encaminhados para unidades hospitalares de referência no Porto, com segurança clínica e continuidade de cuidados asseguradas”, assegurou.

Disse ainda que a suspensão temporária daquela atividade em horário extraordinário “resulta da indisponibilidade dos médicos neurorradiologistas para assegurar períodos de prevenção nos termos por si exigidos, ao abrigo da legislação em vigor”.

Para o sindicato, a solução para todas estas questões passa por medidas estruturais, nomeadamente o reforço efetivo das equipas, o pagamento atempado do trabalho médico.

Joana Bordalo e Sá defendeu a elevação do Hospital de Braga a hospital universitário e disse ser contra uma eventual parceria público-privada para a sua gestão.

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