O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que o primeiro-ministro é “o maior sem noção do país”, depois de Luís Montenegro ter rejeitado na segunda-feira a ideia de caos na saúde.
“Eu queria perguntar ao primeiro-ministro se ele acha mesmo que isto é uma questão de perceção. Eu acho que nós temos um primeiro-ministro que tem uma enorme falta de noção do país real”, afirmou o candidato apoiado pelo Chega.
André Ventura falava aos jornalistas antes de uma arruada em Braga, reagindo às declarações de Luís Montenegro, que defendeu que há uma “perceção de caos” no Serviço Nacional de Saúde, mas afirmou que “isso não é a realidade” do setor.
Questionado sobre o que faria perante as afirmações do primeiro-ministro se fosse Presidente da República, Ventura salientou que diria a Luís Montenegro “que ele é o maior sem noção do país, quando diz que não há caos na saúde”.
Para o candidato, o Presidente da República deve também assumir-se como “a voz da consciência de um Governo que está a errar e que está a governar mal”.
“É impossível um candidato presidencial olhar para isto [declarações do primeiro-ministro] e não dizer que um Presidente da República tem de falar ao país real e tem de dizer para onde é que o Governo não deve ir”, vincou.
Rejeitando a ideia de perceção defendida por Montenegro, o também presidente do Chega apontou para casos de doentes urgentes que esperam 20 horas para serem atendidos, falhas na resposta nos serviços de emergência e falta de macas nos hospitais.
“Se o primeiro-ministro acha que não há nenhum caos na saúde e que isto é só uma questão de perceção, então está no país errado, não está no país certo. Ou então há um problema pior: o primeiro-ministro não conhece o país em que vive e os problemas que as pessoas estão a enfrentar”, disse.
Segundo Ventura, o Presidente da República deve poder alertar “para o país real”, voltando a criticar Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou ter sido pouco exigente e interventivo no setor da saúde.
O candidato insistiu na ideia de um chefe de Estado interventivo: “Não é uma figura de enfeite”.
Questionado se dissolveria a Assembleia da República perante um Governo que ignorasse os seus pedidos ou exigências, André Ventura escusou-se a comentar esse cenário, considerando que, enquanto candidato a Presidente da República deve “promover a estabilidade das instituições e não a destruição das instituições”.
“Um candidato presidencial que vê que a saúde está um caos não pode aceitar que um primeiro-ministro diga que não há caos nenhum e que é só uma questão de perceção. Senão, o Presidente da República tem de sair do Palácio de Belém, ir ao Palácio de São Bento, pegar no primeiro-ministro e levá-lo a uma visita guiada por todas as urgências deste país, para ele ver quantas horas estão à espera, as condições em que os profissionais de saúde estão a trabalhar e ele ver se há caos ou se não há caos”, afirmou.