A ONU alertou hoje que 40% dos centros de saúde moçambicanos podem ficar sem alimentos e leite terapêuticos para crianças gravemente desnutridas este ano, pedindo apoio adicional para os tratamentos.
"Em 2026, até 40% dos centros de saúde em Moçambique podem ficar sem alimentos terapêuticos prontos para uso (ATPU) e leite terapêutico para tratar crianças gravemente desnutridas", indicou numa nota o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Face ao risco, a agência da ONU reiterou ser agora necessário um apoio adicional urgente para garantir que as crianças não fiquem sem acesso a "tratamentos que salvam vidas".
A Unicef prestou assistência nutricional essencial a cerca de 400 mil crianças, desde 2020, nas zonas afetadas pelo ciclone Idai, na província de Sofala, centro de Moçambique, de acordo com dados de dezembro.
Em seis anos, o programa "Melhorar a Nutrição Infantil e Fortalecer a Resiliência em Áreas Afetadas por Ciclones em Moçambique" permitiu alcançar aproximadamente 400 mil crianças com serviços essenciais de nutrição, reduzindo para 35% os níveis de desnutrição crónica severa em crianças menores de 5 anos naquela província, de acordo com uma nota da Unicef.
Em novembro, o Governo moçambicano avançou que mais de 117 mil menores moçambicanos, com idades até aos 2 anos, beneficiam de subsídio do Estado, para reduzir a taxa de desnutrição crónica em crianças até aos 5 anos.
O secretário de Estado de Género e Ação Social, Abdul Esmail, referiu que a execução deste programa visa contribuir para a redução da desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos, "que atualmente situa-se em 37% no país".
Em agosto, a primeira-ministra moçambicana, Benvinda Levi, disse que os níveis de desnutrição crónica em crianças menores de 5 anos reduziram-se seis pontos percentuais em 10 anos, para 37% em 2023, prevalecendo entre as causas os desastres naturais "intensos e cíclicos".