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Associação questiona ambulâncias de reforço no Lumiar quando falhas são no sul do Tejo

Lusa
10-01-2026 13:59h

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) questionou hoje o facto de as ambulâncias da ‘task-force’ da Liga dos Bombeiros estarem no Lumiar, quando a falta de meios é na margem sul do Tejo.

Em comunicado, a ANTEM lembrou que o problema da falta de meios se localiza na margem Sul do Tejo e disse não compreender a opção de ter uma ‘task force’ que concentra ambulâncias nas instalações da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), no Lumiar.

“Esta decisão, além de carecer de explicação técnica e operacional, potencia um agravamento dos tempos de resposta, em prejuízo direto das populações que se pretende servir”, considerou a associação.

Esta semana, pelo menos três pessoas morreram à espera de socorro, no Seixal, em Sesimbra (Quinta do Conde) e em Tavira.

Na justificação dada aos jornalistas, o INEM alegou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais. No caso do Seixal, o homem de 78 anos que morreu esteve quase três horas à espera de socorro e, no caso da Quinta do Conde, a utente aguardou mais de 40 minutos por uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, na margem norte do Tejo.

Na sexta-feira ao final da tarde, a LBP anunciou a criação de uma ‘task-force’ de quatro ambulâncias dos bombeiros de Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar este fim de semana (das 08:00 às 20:00), com as viaturas de emergência sediadas na sede da Liga, que dista cerca de meia hora, por exemplo, do Hospital Garcia de Orta, em Almada).

Na nota agora divulgada, a ANTEM questionou ainda de que forma estes meios serão acionados e geridos, lembrando: “A Liga dos Bombeiros Portugueses é, por definição estatutária, uma confederação de associações humanitárias, não dispondo de qualquer corpo operacional próprio”.

“Nessa medida, não lhe compete, nem lhe é legalmente permitido, assumir funções de comando, coordenação ou acompanhamento direto da atividade operacional no terreno”, acrescentou.

Na divulgação que fez na sexta-feira, a LBP disse que ia ter um comandante em permanência a coordenar as operações no CAASO - Centro de Acompanhamento e Apoio à Situação Operacional.

Sobre esta matéria, a ANTEM manifestou “sérias reservas”, afirmando que tal estrutura apenas podia existir “mediante acesso a sistemas de comunicações operacionais e a informação sensível” que, por lei, está “reservada às entidades legalmente competentes, designadamente às autoridades de saúde, proteção civil e entidades operacionais com responsabilidade direta no socorro”.

A ANTEM disse ainda que estas matérias deve ser clarificadas ”de forma transparente, objetiva e em estrito cumprimento do enquadramento legal vigente”, salvaguardando a segurança do sistema de emergência médica e a confiança dos cidadãos.

Na sexta-feira, depois de o INEM ter alegado a falta de meios para ser dada resposta atempada aos pedidos de socorro no caso das três pessoas que morreram, o jornal Público noticiou que, entre janeiro e novembro do ano passado, as mais de 40 Viaturas Medicas de Emergência e Reanimação existentes em Portugal estiveram inoperacionais 9.172 horas.

Os dados do INEM relativos ao ano passado não permitem saber quais são os motivos das indisponibilidades das viaturas médicas, mas historicamente a falta de tripulação é a principal justificação.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), em Lisboa, indicou que por falta de pessoal, apenas entre quatro a seis das 16 viaturas do INEM estão operacionais.

O STEPH salientou ter alertado, em dezembro, o Ministério da Saúde e o INEM para o risco de falta de ambulâncias e propôs um reforço das macas nos hospitais, por exemplo, usando as macas das ambulâncias que estão paradas.

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