O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) afirmou hoje, no Fundão, que a solução para os constrangimentos no socorro não está no aumento do número de ambulâncias, mas numa melhor articulação entre todas as entidades.
António Nunes falava aos jornalistas à entrada da primeira reunião do ano do conselho executivo, que foi descentralizada, no dia em que colocou ao serviço mais duas ambulâncias na margem sul do Tejo e disponibilizou ao INEM um acréscimo de cinco viaturas para dar resposta a este período considerado mais crítico devido ao pico de gripes.
“Este reforço funcionará durante um curto período de tempo para se poder acorrer a todas as situações não só da margem sul, mas também em Lisboa e Vale do Tejo, para que não haja qualquer dúvida de que os bombeiros estão a fazer parte da solução”, afirmou o presidente da Liga.
Mas António Nunes ressalvou que “não vale a pena pensar que é aumentando o número de ambulâncias que se resolve o problema. Os bombeiros têm cerca de 1.600 ambulâncias a operar no continente, portanto têm capacidade operacional para responder a todas as chamadas de emergência. Mas é preciso uma maior articulação e coordenação”.
“É também preciso que os hospitais cumpram a sua parte”, acrescentou, defendendo que quando os utentes chegam aos hospitais, deve ser feita uma tiragem rápida e imediatamente devolvidas as macas para que as ambulâncias voltem a estar disponíveis.
O presidente da LBP fez esta ressalva “para evitar alguma confusão na opinião pública, de que os bombeiros, em algum momento, estão a falhar às suas populações”.
António Nunes chamou a atenção para outro aspeto que mudou em termos de resposta: “Até há alguns anos, o hospital de referência era sempre o hospital mais próximo. Agora, não é assim. O hospital de referência é onde há a oportunidade de um atendimento especializado”.
“Por exemplo, estamos no Fundão e daqui, provavelmente o transporte que fariam em 45 minutos, agora fazem em três horas”, o que também provoca constrangimentos na disponibilidade das ambulâncias, esclareceu.
“As ambulâncias que temos são suficientes. É preciso é fazer um contrato-programa com cada corpo de bombeiros e, acima de tudo, garantir uma situação que não foi garantida no passado e é inaceitável, que é não pagar a tempo e a horas”, considera.
A LBP está consciente da escassez de recursos e lembra que o INEM “tem o seu orçamento muito baseado na questão de uma taxa dos seguros, que é 2,5%, o que é insuficiente”.
António Nunes apontou duas soluções: “Ou os recursos do Ministério da Saúde aumentam o orçamento de financiamento do INEM, ou dentro de um princípio de que os cidadãos devem contribuir com uma taxa para terem à sua disposição um meio de socorro especializado, deve aumentar a taxa dos seguros de 2,5% para 3% ou para 3,5%”.