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Presidenciais: Marques Mendes considera que “saúde está demasiado politizada”

Lusa
09-01-2026 12:30h

O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou hoje que a “saúde está demasiado politizada” e defendeu que os gestores “deviam ser todos nomeados por concurso público”, pois “há demasiado cartão partidário na escolha” destes responsáveis.

"Acho que o setor da saúde está demasiado politizado, há demasiada guerra política em torno da área da saúde, e portanto isto é um 'ping-pong', Governo de um lado, oposição de outro. Com toda a franqueza do mundo, assim não se vai resolver problema nenhum da saúde, ninguém está a dar nenhuma solução", afirmou.

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava aos jornalistas no final de uma visita à Associação Social dos Idosos da Amoreira (no concelho de Cascais, distrito de Lisboa), no sexto dia da campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.

Luís Marques Mendes considerou que "a saúde está demasiado politizada" e é "preciso despolitizar um pouco a intervenção na área da saúde, é preciso capacidade para juntar as partes, Governo e partidos da oposição, é preciso capacidade para ter soluções diferentes do habitual".

 "Eu acho que esta excessiva politização da Saúde, qualquer português percebe que não conduz a lado nenhum, é de facto aqui um combate de boxe, é aqui um ping-pong, mas ao fim do dia fica tudo igual", defendeu.

Uma dessas soluções, propôs, é a escolha dos gestores dos organismos da saúde acontecer por concurso público.

"Porque acho que há demasiado cartão partidário na escolha dos gestores da saúde, e portanto depois as coisas não funcionam. Isto é ir ao fundo dos problemas, isto não é politiquice", salientou.

O candidato a Presidente da República defendeu igualmente "melhores remunerações" para os gestores da área da saúde.

"Um gestor na saúde não tem que ganhar milhões, mas tem que ter uma remuneração maior do que aquela que tem. O barato sai caro, queremos uma coisa barata, significa que os melhores vão para os serviços privados de saúde", alertou.

Luís Marques Mendes defendeu ainda que "enquanto a politização da saúde estiver neste plano, qualquer português percebe que o que está sempre é tentar ter um ganho de causa em função desta denúncia, em função daquela promessa, em função daquela morte", e considerou que "isso não conduz a lado nenhum". 

Questionado sobre o anúncio do primeiro-ministro da aquisição de 275 novas viaturas para o INEM, Luís Marques Mendes recusou "entrar na guerra política" e defendeu que um Presidente da República "deve estar um bocadinho acima disso" e "construir soluções", em vez de "falar daquilo que diz o Governo ou daquilo que diz a oposição".

E antecipou que, se for eleito chefe de Estado, será "em Belém um defensor intransigente do Serviço Nacional de Saúde", porque "é das maiores conquistas da democracia portuguesa, e alguma coisa de fundo vai ter que mudar".

Sobre os casos das três mortes de pessoas que aguardavam socorro, Luís Marques Mendes defendeu que quando morre alguém "a primeira obrigação de um responsável é prestar explicações e esclarecimentos", nomeadamente "porque é que as coisas aconteceram e o que é que está a ser feito para as pessoas serem evitadas no futuro".

"O problema, nestes casos que estão a acontecer no INEM e noutros lados, é mesmo um problema de organização e de gestão do Serviço Nacional de Saúde", sustentou.

"Há pessoas, mesmo candidatos presenciais, que só falam em generalidades, às vezes até algumas banalidades, cada um faz o que entende. Eu julgo que nós temos que estabelecer diálogo na base de diferenças, de medidas concretas e que sejam diferentes do passado. Mudar é isto mesmo, as coisas não podem sempre ser iguais àquilo que sempre foram. Eu quero estabilidade, exatamente para haver condições de mudança", indicou. 

Questionado sobre alguns dos seus adversários na corrida a Belém indicarem que chamariam o primeiro-ministro para dar esses esclarecimentos, Marques Mendes considerou que se trata de uma "questão de forma".

"Pedir esclarecimentos é pedir esclarecimentos ao governo, evidentemente, é pedir informações, é perguntar o que é que as coisas aconteceram e o que é que vai ser feito", acrescentou.

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