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Republicanos na câmara baixa dos EUA ajudam a passar lei de subsídios para saúde

Lusa
09-01-2026 00:12h

Republicanos da Câmara dos Representantes dos EUA desafiaram hoje as linhas partidárias e aprovaram a prorrogação de subsídios para a saúde, um tema que se tornou delicado para o Presidente Donald Trump na véspera das eleições intercalares.

O projeto de lei, apresentado pelos democratas e contestado pelos líderes republicanos no Congresso, foi aprovado na câmara baixa com 230 votos a favor, incluindo os de 17 republicanos, e 196 contra.

A medida pretende prolongar os subsídios para o programa público de seguro de saúde "Obamacare", que beneficia as famílias norte-americanas de baixos rendimentos, por três anos.

Estes subsídios expiraram em 1 de janeiro, deixando milhões de norte-americanos incertos sobre os seus futuros custos com os cuidados de saúde.

O Senado (câmara alta) precisa agora de analisar o projeto de lei, mas as suas hipóteses de aprovação permanecem incertas, noticiou a agência France-Presse (AFP).

Os senadores de ambos os partidos estão a trabalhar num acordo: uma prorrogação de dois anos dos subsídios, condicionada a um limite máximo de rendimentos para elegibilidade e à implementação de uma contribuição mensal mínima.

Uma das principais medidas do mandato do ex-presidente democrata Barack Obama, este programa público permitiu que milhões de americanos obtivessem seguro de saúde pela primeira vez.

No entanto, tem sido alvo de intensos protestos desde a sua criação por parte da direita norte-americana, que se opõe a esta intervenção governamental no mercado privado de seguros de saúde.

Os líderes republicanos no Congresso também se opuseram à prorrogação dos subsídios para este programa, que acusam de estar repleto de fraude e desperdício.

De acordo com o 'think tank' Urban Institute, quase cinco milhões de beneficiários poderão perder toda a cobertura de seguro de saúde em 2026 devido à prescrição dos subsídios.

A prorrogação dos subsídios foi o cerne da disputa em outubro entre os congressistas republicanos e democratas, que levou à paralisação governamental mais longa da história dos EUA.

E a questão dos custos dos cuidados de saúde tornou-se um tema central no debate político norte-americano nos últimos meses, com a oposição democrata a esperar explorá-la na corrida às cruciais eleições intercalares em novembro.

"A crise do custo de vida não é uma farsa, é bem real, apesar do que Donald Trump tenha dito", frisou o líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, numa conferência de imprensa no Capitólio.

O presidente republicano queixou-se no início de dezembro de que a oposição se tinha aproveitado da questão da inflação, tema da sua campanha eleitoral de 2024, chamando-lhe uma "farsa democrata".

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