Uma mulher que estava em paragem cardiorrespiratória morreu, na quarta-feira, na Quinta do Conde, em Sesimbra, após esperar mais de 40 minutos por socorro, confirmou à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos.
O caso foi avançado pela Rádio Renascença e é o terceiro esta semana de alegado atraso no socorro, depois da morte de um homem no Seixal, que aguardou três horas por uma ambulância, e de um outro em Tavira, que esteve mais de uma hora à espera de socorro.
Os Bombeiros Voluntários de Carcavelos foram chamados às 14:00 para prestar assistência à vítima, que se encontrava com dificuldade respiratória, a 35 quilómetros de distância, tendo chegado às 14:44, quando a mulher já estava em paragem cardiorrespiratória, disse João Franco à Lusa.
Entretanto, chegou ao local uma viatura de emergência médica do INEM, foram feitas manobras de reanimação, mas o óbito acabou por ser declarado no local, disse o comandante dos bombeiros.
Numa publicação no Facebook, os Bombeiros Voluntários de Carcavelos afirmam que, “apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local. Em situações de paragem cardiorrespiratória cada minuto é determinante — por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”.
Os bombeiros salientam que “este tipo de ocorrência relembra a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro, salientando que, mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um fator crítico na probabilidade de sucesso da reanimação”.
Questionado pelos jornalistas à entrada para uma reunião sobre este caso com o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António Nunes, o presidente do INEM, Luís Cabral, afirmou não ter neste momento informação para responder.
“Não posso estar agora a comentar todas as situações. Agora, se há alguma dessas notícias, irei ter o cuidado de a averiguar e iremos, enquanto INEM, dar a notícia que tivermos que dar sobre essa matéria”, afirmou Luís Cabral.
Também questionado sobre o que está a falhar, o presidente da LBP, António Nunes disse que não sabe o que está a falhar.
“O que nós sabemos é que o sistema não está a funcionar bem (…) mas não é de agora”, sublinhou.
António Nunes afirmou que "no caso de se chegar à conclusão que são os bombeiros que não estão a cumprir com a sua missão, que digam, porque estes assumem as suas responsabilidades".
“Até agora isso não aconteceu. Não estou a dizer que todos os casos são de 100% de sucesso, não vai acontecer isso. Não podemos é continuar a ter sistematicamente em picos de gripe, como acontece todos os anos, situações como esta”, alertou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses.