O candidato presidencial Luís Marques Mendes prometeu hoje ajudar este ou outro governo a “tomar decisões para melhorar” a saúde, e sugeriu que as regras e estímulos das Parcerias Público-Privadas neste setor se possam aplicar aos hospitais públicos.
No final de uma visita ao mercado do Livramento, em Setúbal, Marques Mendes foi questionado sobre queixas que tem ouvido sobre a saúde e sobre a morte de um homem, na terça-feira no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM.
“A primeira coisa que devo dizer é que lamento profundamente o que aconteceu e a morte dessa pessoa. Essa é que é a péssima notícia. Não conheço as circunstâncias do caso, portanto, não posso pronunciar-me”, disse.
Sobre a situação da saúde, considerou que “as pessoas têm razão e há que fazer esforços e ajudar a que sejam tomadas as decisões para melhorar as outras”.
Questionado se não é já é tarde para o Governo o fazer, respondeu: “Tarde nunca é, mas mais do que diagnósticos é, de facto, preciso ter soluções”, disse, recusando pronunciar-se se o executivo está a desiludir nesta área, afirmando já não ser comentador.
“Eu não estou aqui agora para fazer análise ou comentário. Eu estou aqui para ser Presidente da República e ajudar o Governo, este ou qualquer outro, a governar o melhor possível”, disse.
O candidato apoiado por PSD e CDS-PP considerou que o Presidente da República pode ajudar o executivo de duas formas, nesta área.
“Primeiro garantir a estabilidade. Sem haver estabilidade não há soluções. E depois ser firme a exigir resultados. Acho que esse é o papel do Presidente da República e não aquele papel de criar dificuldades e de criar instabilidade”, afirmou.
Mendes disse não temer que os problemas na saúde possam afetar a sua campanha para Belém e reiterou uma proposta concreta na área da saúde, que disse ser a sua maior preocupação, a par da habitação.
“Qual é o padrão que eu quero ajudar a impor no domínio da saúde? Que as regras e estímulos que foram aplicadas nas parcerias público-privadas (PPP) possam ser aplicadas nos hospitais públicos”, disse.
O candidato esclareceu que não está a defender que existam ou não PPP nos hospitais – uma decisão que caberá ao governo -, mas defendeu que “as regras das PPP na saúde provaram bem, provaram no domínio financeiro, provaram na confiança que os utentes tinham nesses hospitais”
“Então porque é que essas regras não devem vir para os hospitais públicos? Provaram nos hospitais públicos com gestão privada, então passemos para os hospitais públicos”, afirmou, prometendo ser ativo na defesa de soluções como esta através da “magistratura de influência” que pode exercer em Belém.
No mercado de Setúbal, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi genericamente bem recebido, mas uma vendedora que disse apoiá-lo, conhecida como “Júlia do mercado do peixe”, pediu-lhe mais atenção à saúde, bem como à situação dos jovens.
“Eu dava-lhe o conselho de ele olhar muito pela população, pela nossa saúde. Porque eu tenho um seguro, que pago muito dinheiro enquanto estiver a trabalhar, quando já não estiver a trabalhar já não tenho dinheiro para pagar e tenho que ir para o Serviço Nacional de Saúde. E é muito triste o que a gente vê”, lamentou.
Por outro lado, pediu a Mendes para olhar para os jovens que são forçados a emigrar, dando exemplo de um neto seu que está a trabalhar na Alemanha e a ganhar “o triplo” do que ganharia em Portugal, onde tinha um salário de 900 euros.
“Estamos a exportar o futuro. É verdade”, concordou Mendes, prometendo que, se for eleito Presidente da República, vai tentar ajudar nesse sentido.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.