Pelo menos 95 pessoas morreram em 21.284 ocorrências de trauma registadas nas unidades sanitárias durante o período das festas em Moçambique, anunciaram hoje as autoridades de saúde, apontando os acidentes rodoviários como a principal causa de morte.
Este número, explicou, em conferência de imprensa, hoje, em Maputo, o diretor nacional de Assistência Médica, Nelson Mucopo, compara com os 40 óbitos registados no período de festas de 2024/2025.
Segundo o responsável, do dia 20 de dezembro de 2025 até domingo, o setor da saúde reportou, em pelo menos 161 unidades hospitalares em todo o país, um total de 21.284 ocorrências de trauma, contra 11.161 casos registados um ano antes.
"Registamos 7.233 casos de acidentes que deram entrada nas nossas unidades sanitárias, contra 3.247 casos que registámos no período homólogo de 2024 e isso corresponde a 40% do total de casos que tivemos ao longo desse período", explicou.
Mucopo avançou ainda que 78 dos óbitos registados no país estão relacionados com os acidentes rodoviários, representando cerca de 80% do total de mortes reportadas neste período.
"Portanto, estamos a ter muita fatalidade nos acidentes de viação a nível das nossas rodovias", alertou, explicando ainda que a maioria dos casos de acidentes ocorreram na província de Nampula, no norte do país, com 1.073 casos, seguido de Sofala, no centro, que somou 880 acidentes, e a cidade de Maputo, capital do país, com 852 casos de acidentes de viação.
Segundo o diretor de Assistência Médica, foram reportados igualmente 6.663 casos de agressões físicas em todo o país, que resultaram em quatro óbitos, contra 2.864 casos de igual período de 2024, e 4.072 casos de quedas, contra 622 casos do ano anterior, estes últimos sem registo de óbitos.
Foram ainda registados pelos hospitais moçambicanos 216 casos de violação - 54 dos quais em que as vítimas foram crianças menores de 14 anos -, contra 91 no mesmo período de 2024/2025, e 1.031 casos de violência doméstica, quando um ano antes foram contabilizados 261.
As autoridades de saúde assinalam ainda a ocorrência de 330 casos de intoxicações, onde, entre outros, 51 casos foram por bebidas alcoólicas e 42 casos relacionados ao consumo de alimentos.
Nelson Mucopo explicou ainda que durante os 16 dias do período analisado, as unidades sanitárias estiveram em prontidão, tendo conseguido responder aos casos recebidos.
"Não tivemos nenhuma rotura de estoque, não só de material medicamentoso, mas também de sangue, que nós conseguimos responder para todos os casos que tiveram critérios de transfusão de sangue a nível das nossas unidades sanitárias e blocos operatórios", concluiu.