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Gota de sangue da ponta do dedo pode detetar Alzheimer - Estudo

Lusa
06-01-2026 01:00h

Uma gota de sangue seco, obtida com uma simples picada no dedo, como a que os diabéticos usam para medir a glucose, pode ser utilizada para detetar marcadores importantes da doença de Alzheimer, evitando assim exames mais invasivos.

Um estudo que envolveu o Instituto de Saúde Carlos III (Madrid) e o Centro de Investigação de Alzheimer ACE, em Barcelona, divulgado na segunda-feira na revista Nature Medicine, detalhou um novo método para detetar esta doença utilizando uma gota de sangue obtida da ponta do dedo e seca num cartão.

O procedimento foi testado em 337 doentes em sete centros europeus para encontrar proteínas relacionadas com Alzheimer e outras alterações cerebrais no líquido cefalorraquidiano, alcançando 86% de precisão na identificação de alterações relacionadas com a doença.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que afeta gravemente a memória e outras funções mentais, provocando uma perda progressiva de neurónios à medida que avança. A deteção precoce é crucial para a implementação de tratamentos que possam atrasar ou travar a sua progressão.

Cerca de uma em cada nove pessoas com mais de 65 anos sofre desta doença, segundo a Alzheimer's Association.

Os exames de diagnóstico atuais, como a análise do líquido cefalorraquidiano ou técnicas de imagem cerebral (como a TAC ou a PET), são frequentemente invasivos, dispendiosos ou inacessíveis, e também detetam a doença quando esta já está bastante avançada.

Um dos desafios da investigação atual é melhorar os exames de sangue como método de diagnóstico precoce.

Uma das limitações práticas destes exames ao sangue é o manuseamento e armazenamento das amostras, bem como a disponibilidade de pessoal qualificado para as recolher.

Para superar este desafio, o presente estudo centra-se na análise de biomarcadores a partir de gotas de sangue recolhidas da ponta do dedo e secas num cartão. Trata-se de um teste que os doentes podem realizar sozinhos, sem ajuda externa, como foi o caso neste estudo.

Os autores verificaram que os níveis da proteína p-tau217 em amostras obtidas através da impressão digital apresentaram uma elevada semelhança com os resultados dos exames de sangue convencionais e permitiram a identificação de alterações relacionadas com a doença de Alzheimer no líquido cefalorraquidiano com 86% de precisão.

Outros dois biomarcadores associados à doença, o GFAP e o NFL, foram também medidos com sucesso e apresentaram um elevado grau de concordância com os testes de diagnóstico tradicionais.

Os investigadores alertaram também que este procedimento de diagnóstico ainda não está pronto para uso clínico e requer um desenvolvimento adicional.

No entanto, os resultados sugerem que esta técnica simples pode possibilitar diagnósticos em larga escala, incluindo para pessoas com recursos limitados.

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