O Hospital Central de Maputo, o maior de Moçambique, registou “grande pressão” com o aumento de entradas no Serviço de Urgências na quadra festiva e o problema “extremamente crítico” de défice de sangue, foi hoje divulgado.
O diretor de Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo (HCM), Dino Lopes, explicou, em conferência de imprensa, que durante a quadra festiva deram entrada naquele serviço 4.181 pacientes, um aumento em 577 casos comparados ao mesmo período de 2024.
“A grande pressão verificou-se no Serviço de Urgências de adultos, onde o cumulativo foi de 2.292 pacientes que deram entrada”, apontou Dino Lopes, avançando que a urgência de pediatria recebeu 1.041 pacientes, com 52 casos na medicina legal e na clínica especial deram entrada 207 pacientes.
O HCM contou, em média, com 240 funcionários a dar resposta a todas as necessidades, neste período.
Durante a passagem do ano foram registados dois casos de lesão por objetos pirotécnicos, contra 11 registados em 2024, acrescentou Dino Lopes.
O responsável pelo Serviço de Urgências no HCM apontou ainda o défice de sangue para responder às emergências no maior hospital do país, estando atualmente com apenas 43 unidades de sangue e derivados, contra 160 contabilizadas em 29 de dezembro.
“O importante é referir agora que, em relação ao banco de sangue, estamos numa situação extremamente crítica. É uma quantidade que nunca tivemos nos últimos anos. É muito pouco (…), não temos nenhuma capacidade das cirurgias que foram programadas para continuarem neste janeiro e para os meses subsequentes”, lamentou Lopes, apelando para que dadores possam “doar esse precioso líquido e ajudar a população”.
Dino Lopes recordou que durante a quadra festiva deu entrada nas urgências uma menor que precisou de 32 unidades de sangue, um caso que só foi possível responder com doações vindas das igrejas e de outros voluntários: “Graças a essa prontidão e outras capacidades técnicas e gestão, conseguimos salvar essa criança. Só uma criança, 32 unidades”, concluiu.
Em 29 de dezembro, o diretor do Serviço de Urgências tinha anunciado que o HCM contava apenas com 160 unidades de sangue para emergências de fim de ano, pedindo mais adesão às campanhas de doação.
O responsável explicou, na altura, que o número de unidades disponíveis não significa capacidade de atender igual número de pacientes, porque há doentes que podem precisar de mais de cinco unidades de sangue durante o processo de transfusão.