O candidato presidencial Marques Mendes apelou hoje ao Presidente da República e ao Governo que “não empatem” o decreto-lei que pretende criar urgências regionais de obstetrícia e avisou que este é o tempo de “exigir resultados em todas as áreas”.
Numa sessão de esclarecimento no Instituto Politécnico de Viseu, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse ter muito orgulho no apoio destes dois partidos, mas assegurou que será totalmente isento e independente, prometendo, se for eleito, ser também um Presidente ativo.
“Mas exigindo ao mesmo tempo firmeza nos resultados. Há um tempo para ter diagnósticos e há um tempo para exigir resultados. E este é o tempo para exigir resultados em todas as áreas”, disse.
Marques Mendes quis dar um exemplo concreto, referindo-se aos três diplomas na área da saúde que o Presidente da República devolveu ao Governo, pedindo que, “se são necessários aperfeiçoamentos, façam-se os aperfeiçoamentos”.
O candidato a Belém referiu-se em especial ao decreto-lei que prevê a criação de urgências de obstetrícia de caráter regional, dizendo que pretende resolver “os problemas terríveis que existem na Península de Setúbal”.
“Se há problemas de aperfeiçoamento nesse diploma, resolvam rapidamente. Mas não empatem durante muito tempo uma decisão sobre essa matéria porque ela é absolutamente essencial para milhares de pessoas e para milhares de mulheres na Península de Setúbal, pelo menos”, disse.
E deixou mais um apelo: “Não me obriguem a que uma das primeiras decisões no dia 9 de Março, tomando posse como Presidente da República, tenha que ser essa decisão. Eu espero que decidam antes”, afirmou.
Dizendo respeitar a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de devolver estes diplomas ao Governo, Mendes defendeu que, “num tempo em que a natalidade é essencial e em que há zonas do país em que este problema é muito sério, muito sensível e muito crítico”, os órgãos de soberania “têm que cooperar ainda mais”.
“Isto é ser um Presidente ativo ao dizer isto”, defendeu.
Na última ação de um dia de pré-campanha que começou no Mercado de Benfica, em Lisboa, passou por Águeda (distrito de Aveiro), e terminou em Viseu, Mendes recuperou a ideia que considerou essencial para a sua decisão de se candidatar a Belém: “o valor da experiência”, quer para lidar com a incerteza internacional, quer interna.
“Nós não podemos acrescentar cá dentro incerteza à incerteza que já vem do exterior. O que significa que a escolha de um Presidente da República não pode ser uma aventura, não pode ser um tiro no escuro, não pode ser um exercício de experimentalismo. A experiência conta”, afirmou.
Por outro lado, salientou, a experiência é determinante para que em Belém esteja alguém que “saiba ouvir, que saiba dialogar”, dizendo que isto “não é uma banalidade”.
“Estamos numa altura em que é preciso ouvir cada vez mais os portugueses. Ouvir os empresários e ouvir os trabalhadores. Ouvir os investigadores e ouvir os professores. Ouvir os profissionais de saúde, os médicos, ou todos os demais profissionais de saúde. Ouvir os jovens e ouvir os idosos. Ouvir os do interior e ouvir os do litoral”, afirmou, reafirmando a sua ideia de fazer presidências abertas para o país.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.