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Iémen: CICV anuncia primeira entrega de ajuda médica em cidade cercada pelos huthis

Lusa
04-11-2026 17:37h

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou ter transportado hoje material médico para Taiz, cidade do Iémen cercada desde outubro pelos rebeldes huthis, pró-iranianos, no quadro do conflito contra o Governo iemenita internacionalmente reconhecido.

O CICV entregou “quatro camiões com material médico essencial” na cidade, “nomeadamente conjuntos de material cirúrgico para ajudar os hospitais a tratar feridos por armas”, anunciou a organização num comunicado.

A organização médica internacional salientou tratar-se da “primeira entrega de material médico do CICV aos hospitais” desde 23 de setembro, “pouco antes da intensificação dos combates na região”, afirmou à agência noticiosa France-Presse (AFP) o porta-voz do CICV para o Médio Oriente, Hashem Osseiran.

“Mas sejamos claros – alertou – esta ajuda não consegue dar resposta a todas as necessidades da população”.

Os combatentes huthis cercaram, no início de outubro, a terceira maior cidade do Iémen, bloqueando a estrada que a liga a Aden, capital provisória do Governo internacionalmente reconhecido e apoiado pela Arábia Saudita.

As Nações Unidas alertaram por diversas vezes para o agravamento da situação humanitária nesta cidade do sudoeste do país, onde os huthis restringiram a entrada de bens de primeira necessidade, embora neguem ter imposto um cerco.

NMa segunda-feira, o responsável pelas operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, apelou às partes para que abrissem as estradas, de modo a permitir a entrada de ajuda na cidade.

“As estradas estão encerradas e as reservas estão a esgotar-se. A produção de água diminuiu para metade. Os preços dos alimentos aumentaram pelo menos 50%. Os hospitais têm falta de combustível e medicamentos”, alertou então Fletcher, sublinhando que os “civis não podem ser feitos reféns dos combates”.

Desencadeado em 2014, o conflito no Iémen – o país mais pobre da Península Arábica – foi retomado em julho, no contexto da guerra regional, após quatro anos de acalmia.

Desde o verão, os confrontos provocaram mais de 1.600 mortos e 300.000 deslocados, segundo dados da ONU, não havendo perspetivas de uma solução diplomática.

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