O presidente da Câmara do Seixal vincou hoje “a necessidade urgente” de construção de um hospital público no concelho, alertando que o aumento populacional do território está a fazer o Garcia de Orta, em Almada, “rebentar pelas costuras”.
“O Hospital Garcia de Orta foi inaugurado em 1991, há 35 anos, para servir uma população de 200 mil pessoas dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra. Atualmente, serve os concelhos de Almada e Seixal, os dois concelhos mais populosos da Península de Setúbal, com um total de 400 mil habitantes”, disse Paulo Silva durante uma ação simbólica de lançamento da primeira pedra do hospital do Seixal.
Segundo dados do Pordata, a população do concelho aumentou 15% entre 2021 e 2025, acima da média nacional (7,8%), registando o maior aumento populacional quando comparado com os cinco municípios mais próximos.
Para o autarca, o facto de o hospital Garcia de Orta, em Almada, estar já a servir o dobro da população, “demonstra que a construção do hospital do Seixal é uma necessidade permanente para haver uma melhor resposta a nível de cuidados hospitalares”.
A construção da unidade de saúde é uma reivindicação com mais de duas décadas que já foi objeto de um protocolo entre o Estado e a câmara municipal, em 2009, com inauguração prevista para 2012.
A iniciativa de hoje, realizada nos terrenos para onde está projetado o hospital do Seixal, insere-se num conjunto de ações de denúncia e protesto a nível nacional desenvolvidas hoje pelo Partido Comunista Português em defesa do Serviço Nacional de Saúde.
Paulo Silva acrescentou, na iniciativa simbólica de hoje, que este hospital seria para trabalhar em complementaridade com o Hospital Garcia de Orta, pertencente à Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), que já não consegue dar resposta às necessidades da população.
O autarca alertou que enquanto o hospital público no Seixal não avança vai crescendo o interesse dos privados em construírem unidades hospitalares no concelho, tendo em conta que é um território muito populoso.
“É um território apetecível, é o território que mais está a crescer a nível populacional na Península de Setúbal e, brevemente, seremos o mais populoso. É também um concelho com mais empresas, portanto em franco desenvolvimento e isto é sem dúvida um pitéu para os privados”, disse, adiantando que o grupo Luz Saúde está já com um projeto muito adiantado para se instalar no concelho e que o grupo Lusíadas também já manifestou interesse.
No entender de Paulo Silva, são dadas desculpas políticas para não avançar com o projeto de um hospital público dando espaço aos privados.
“Quando a saúde for privada deixaremos ter acesso à saúde e quando alguns me dizem que 53% dos portugueses têm seguros de saúde e conseguem ter acesso aos hospitais privados, eu digo que o que me preocupa são os outros 47%, os que menos têm e que mais necessitam e esses não entram nos hospitais privados, esses precisam sem dúvida que haja hospitais públicos que sejam referência para que tenham acesso aos cuidados de saúde, para que os princípios constitucionais e os direitos consagrados na Constituição de Abril, nomeadamente o direito à saúde, seja uma realidade efetiva no nosso país”, sustentou.
Desde o início da luta pelo hospital do Seixal, em 2001, já se realizaram inúmeras iniciativas reivindicativas, como um cordão humano em torno da Baía do Seixal, um hospital de campanha no âmbito da ação “Em Campanha pelo Hospital no Seixal”, o “Mais Um Natal sem Hospital no Seixal” ou a campanha “1 Voto pelo Hospital no Seixal”.
Em dezembro de 2015, após um abaixo-assinado com mais de oito mil assinaturas, foi aprovada uma resolução da Assembleia da República para construção urgente deste equipamento e, no Orçamento do Estado para 2017, foi inscrita uma verba de 10 milhões de euros para relançar o projeto e o concurso, tendo sido mesmo noticiado o seu arranque em julho de 2017.
Contudo, só em junho de 2018, com a assinatura de uma nova adenda ao acordo inicial, em que a Câmara Municipal do Seixal assumiu os custos da construção das acessibilidades (três milhões de euros), foi possível lançar um novo concurso.
Em 2019, o Governo anunciou novo adiamento, assumindo que, durante o primeiro trimestre de 2023, apresentaria o projeto de execução para posterior lançamento do concurso de construção, mas em 2024 o projeto de execução ainda esperava a revisão a que a lei obrigava estando agora na fase de adjudicação da revisão do projeto de execução.