A exploração do espaço e o trabalho científico realizado na Estação Espacial Internacional (ISS) está ligada, também, à melhoria das condições de vida na Terra, disse hoje um astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA).
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma sessão com cerca de uma centena de alunos de vários níveis de ensino de Coimbra, o dinamarquês Andreas Mogensen, astronauta da ESA e antigo comandante da ISS, observou que a maioria das pessoas “associa o espaço a tudo aquilo que vê quando olha para o céu à noite, mas o espaço, hoje em dia, é mesmo sobre a Terra e melhorar a vida na Terra para todos”.
“Usamos tecnologia do espaço, todos os dias, tecnologia de satélites para navegação, para comunicação, para observação da Terra, e até mesmo o trabalho que fazemos a bordo da Estação Espacial, que está muito focada em pesquisa científica, tem benefícios para todos nós aqui”, vincou o astronauta dinamarquês.
“Por exemplo, alguns dos trabalhos que fazemos focam-se na fisiologia humana. Queremos entender como os nossos corpos reagem ao espaço e isso dá-nos um conhecimento mais profundo da fisiologia humana, que podemos usar para ajudar pacientes como pessoas mais idosas na Terra”, explicou.
Ao mesmo tempo, os satélites e as tecnologias a eles associadas estão em expansão e cada vez mais integradas nas infraestruturas terrenas e nas sociedades atuais.
“Hoje, da mesma maneira que entramos numa sala e acendemos a luz, a luz aparece sem realmente pensarmos sobre como a eletricidade é gerada e como é distribuída. O mesmo já se passa com os satélites, hoje usamos essa tecnologia na navegação, sem pensarmos que há satélites que estão a enviar sinais para os nossos telefones, é algo que damos por garantido, podemos navegar de cidade para cidade ou de endereço para endereço sem problemas”, vincou.
Sobre a exploração espacial em curso, nomeadamente o programa Artemis da NASA, em colaboração com a ESA, o astronauta notou que se o objetivo próximo é voltar a aterrar na lua em 2028, a humanidade “está a sonhar e a pensar além disso”.
“Este é um momento muito emocionante para o espaço, quando se trata de astronautas e de voos espaciais humanos. Estamos prontos a enviar astronautas para a lua e também para trabalhar, eventualmente, para ir além, para Marte”, afirmou.
À beira de completar 50 anos, daqui por três dias, o primeiro astronauta dinamarquês – que a ESA diz gostar de desportos como râguebi, basquetebol e squash e ser praticante ativo de mergulho, queda livre, kayak ou alpinismo – notou que cumpriu o sonho de viajar no espaço com “muito trabalho duro e também um pouco de sorte”, embora consciente de que as hipóteses eram “muito, mas muito pequenas”.
“Mas sempre pensei que se outras pessoas podiam ser selecionadas como astronautas, porque eu não seria capaz? Se tens um objetivo e estás disposto a trabalhar por ele, com um pouco de sorte podes alcançar esse objetivo, mas não sem trabalho duro, o trabalho duro é necessário”, defendeu.
Hoje, no encontro com as crianças e jovens que encheram a sala do Exploratório de Coimbra, Andreas Mogensen já tinha resposta para a pergunta, mais ou menos óbvia, que se preparava para ouvir da plateia: O que fazer para se ser astronauta?
“A boa notícia é que não há apenas uma maneira de se tornar um astronauta, mas, em geral, tens de ter experiência científica ou de engenharia. Terás de estudar ciência, tecnologia, engenharia, medicina ou ser um piloto. Essas são as áreas amplas de que precisas para te poderes aplicar e te tornares astronauta, e precisas de estudar muito e trabalhar no duro”, reafirmou.