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Ébola: Conselho Norueguês para os Refugiados pede urgência na resposta ao vírus

Lusa
28-10-2026 12:44h

O Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC, em inglês) pediu hoje que se fortaleça "urgentemente" a resposta à epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) depois de na terça-feira terem sido ultrapassados os 10 mil contágios.

A NRC alertou, ainda, que os casos estão a crescer mais rápido do que a capacidade humanitária e que é necessário agir.

"Esta resposta não é de todo proporcional à enorme dimensão do surto", afirmou em comunicado Silvia Beccacece, responsável pela equipa de emergências do NRC, que participa na resposta à doença.

"Enquanto percorro Ituri (província no leste do Congo e epicentro da epidemia), vejo com que dureza a doença está a afetar as comunidades e surpreende-me o quanto ainda há por fazer para controlar este surto", referiu Beccacece.

A responsável humanitária destacou que "as famílias desta zona têm enfrentado grandes dificuldades há anos como consequência da violência extrema, do deslocamento forçado e da falta de serviços básicos".

Assim, Beccacece alertou que os 10 mil casos confirmados "devem ser um sinal de alerta de que esta resposta não está a conseguir antecipar a epidemia".

Neste contexto, o NRC pediu uma maior coordenação entre as autoridades de saúde, organizações humanitárias e comunidades locais, assim como mais apoio dos doadores para as áreas afetadas simultaneamente pelo vírus Ébola, pelo deslocamento e por anos de violência.

A RDCongo declarou, no passado dia 15 de maio, o seu 17.º surto do vírus Ébola, que depois evoluiu para epidemia, o segundo mais mortal da história a nível global — que afeta oito províncias congolesas e, segundo o último balanço oficial, causou 10.141 casos confirmados e 4.928 mortos, o que representa uma taxa de letalidade de 48,6 %.

De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDCongo, recolhidos até 26 de outubro, apenas nas últimas 24 horas contabilizadas confirmaram-se 81 novas infeções e 41 mortes, enquanto 24 pacientes foram declarados curados.

A epidemia também se espalhou para o vizinho Uganda, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a 26 de agosto o fim do surto, após contabilizar 20 contágios confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, entre os quais houve duas mortes.

Além disso, foram detetados casos relacionados com a epidemia da RDCongo na Nigéria (um), Quénia (nove, incluindo duas mortes), França (um) e Países Baixos (um).

A estirpe Bundibugyo, que causa a epidemia atual, não tem tratamentos específicos, mas a OMS está a trabalhar em duas vacinas que iniciaram os ensaios de fase 1 em humanos e que, até ao momento, se têm mostrado seguras, embora o seu desenvolvimento possa demorar vários meses.

Entretanto, a RDCongo lançou uma campanha de imunização contra o Ébola no final de agosto, utilizando a vacina Ervebo, a única disponível em larga escala.

Embora inicialmente desenvolvida para a variante Zaire, que é a mais comum do vírus, a vacina apresentou resultados promissores contra a variante Bundibugyo em animais.

A OMS anunciou também na sexta-feira o início de um ensaio clínico na RDCongo para avaliar várias potenciais vacinas contra esta estirpe.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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