A medicina de precisão, o acesso aos ensaios clínicos e os avanços tecnológicos são fundamentais no combate ao cancro. No episódio “Cancro: Mais do que um Diagnóstico”, do “Saúde Sem Fronteiras”, apresentado por Paula Castanho, especialistas e investigadores analisam as novas estratégias terapêuticas e a evolução no tratamento da doença.
André Mansinho, oncologista no Hospital de Santa Maria e Diretor de Investigação Clínica na Unidade de Lisboa do Start Center for Cancer, destaca a transição da quimioterapia clássica para a utilização de terapêuticas dirigidas a mutações genéticas específicas. O especialista sublinha o papel dos ensaios clínicos de fase precoce, que oferecem novas oportunidades e esperança a doentes que já esgotaram as opções convencionais.
Shermann Brandão, oncologista na Fundação Champalimaud, aborda a importância da medicina de precisão e da personalização dos tratamentos de acordo com as características de cada doente. O médico explica o funcionamento de abordagens inovadoras como as terapias-alvo, a imunoterapia e as células CAR-T, e destaca ainda o desenvolvimento de novos exames de rastreio precoce, como a biópsia através do ar expirado no cancro do pâncreas.
A partir da Suécia, o investigador português Fábio Rosa, vencedor do Prémio de Inovação e Ciência 2026, atribuído pelo Instituto de Bioinovação da Dinamarca, apresenta o seu trabalho em reprogramação celular direta. A técnica permite converter as próprias células do tumor em células dendríticas, atuando como um "cavalo de Tróia" para forçar o sistema imunitário a combater o cancro de forma eficaz.
O episódio aborda também os desafios no financiamento da investigação e nos prazos até à chegada dos novos tratamentos aos doentes. Enquanto os países nórdicos dispõem de ecossistemas com maior acesso a fundos e apoio à biotecnologia, Portugal e a América do Sul enfrentam ainda limitações no fomento e na atração de investimento para a ciência.
Entre Portugal, Suécia e Brasil, “Saúde Sem Fronteiras” mostra que a ciência continua a avançar para transformar o cancro numa doença cada vez mais controlável. A tecnologia e a inovação permitem tratar cada vez melhor, mas a informação, o diagnóstico precoce e o acesso aos cuidados de saúde continuam a ser fundamentais para dar mais esperança aos doentes.