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Moçambique quer formar mais 14 mil profissionais de saúde até 2030

Lusa
26-10-2026 17:40h

Moçambique prevê formar mais de 14 mil profissionais de saúde até 2030, anunciou hoje o ministro da Saúde, apontando como prioridades a melhoria da qualidade do ensino, a digitalização da formação e o combate ao assédio nas instituições académicas.

“Para responder aos mesmos e assegurar a disponibilidade de recursos humanos competentes, motivados e adequadamente distribuídos no território nacional, o Ministério da Saúde prevê formar até 2030 um total de 14 mil profissionais de saúde", disse Ussene Isse, em Maputo, na abertura da V Reunião Nacional da Formação de Profissionais de Saúde.

Isse reconheceu que o sistema enfrenta pressões associadas à transição demográfica, às alterações climáticas, às emergências de saúde pública e às dificuldades de financiamento, além de reivindicações de profissionais do setor por melhores condições de trabalho e reajustes salariais.

Segundo o ministro, a meta inclui a formação de 265 médicos especialistas, 255 subespecialistas em áreas prioritárias, 270 profissionais em programas de pós-graduação e especialização em enfermagem, 160 mestres e doutorados, 300 licenciados e cerca de 11 mil técnicos médios de saúde.

Ussene Isse afirmou que estes profissionais serão fundamentais para sustentar a expansão e a qualidade dos serviços prestados pelo Sistema Nacional de Saúde.

"O desafio não é apenas formar mais profissionais, mas garantir, acima de tudo, que cada graduado possua habilidades, competências técnicas, valores éticos e habilidades humanas necessárias para exercer a sua profissão com qualidade e segurança", referiu ainda.

O governante destacou igualmente os progressos registados nos últimos anos, apontando a formação de cerca de 19.500 técnicos de saúde, 600 médicos especialistas e três mil agentes polivalentes elementares, números que considerou demonstrativos do compromisso do Governo com o reforço da capacidade de resposta do setor.

Uma das principais preocupações manifestadas pelo ministro durante a intervenção foi o aumento de situações de assédio em ambientes académicos e de prática clínica, defendendo uma posição de "tolerância zero" por parte das instituições.

"Devemos combater e reforçar cada vez mais o combate ao assédio em todas as suas formas. Este é um desafio emergente que temos assistido nas nossas escolas de formação", disse.

Segundo o ministro, nenhuma pessoa em formação, docente ou profissional deve ser sujeita a práticas que atentem contra a sua dignidade ou integridade física e psicológica, defendendo o fortalecimento dos mecanismos de denúncia, proteção das vítimas e responsabilização dos infratores.

Ussene Isse identificou igualmente a saúde mental como uma preocupação crescente para o setor da saúde, classificando-a como "uma nova epidemia emergente no Sistema Nacional de Saúde".

A esse propósito, defendeu a criação de espaços de escuta e de apoio psicossocial para estudantes e profissionais em formação, argumentando que os elevados níveis de exigência académica e emocional associados ao ensino na área da saúde podem aumentar os riscos de exaustão, abandono dos cursos e outros problemas psicológicos.

O ministro apelou ainda ao reforço da articulação entre escolas de formação e hospitais de ensino, à consolidação de modelos de aprendizagem baseados em competências e à expansão da formação orientada para os cuidados de saúde primários e para a intervenção comunitária.

Em julho, profissionais de saúde moçambicanos, em greve desde janeiro, anunciaram a continuação da paralisação por mais 30 dias, exigindo um plano emergencial para o setor e ameaçando avançar com uma manifestação nacional no final desse período.

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