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Cuba denuncia que mortes por cancro ultrapassam as 70 por dia e culpa embargo dos EUA

LUSA
17-10-2026 01:00h

Cuba denunciou hoje que "mortes por cancro no país superam as 70 por dia, e a sobrevivência de crianças e jovens com esta doença caiu de 85% para 65%", devido ao embargo dos EUA à importação de medicamentos oncológicos.

De acordo com um relatório publicado nos meios estatais do país, "um grupo de fármacos inovadores contra o cancro, produzidos por farmacêuticas norte-americanas" tornou-se "completamente inacessível para Cuba", tanto pelo embargo norte-americano, estabelecido desde 1962, como pelas sanções secundárias deste ano que ameaçam quem faça negócios com a ilha.

"A isso soma-se a dificuldade permanente em adquirir tecnologia médica de origem norte-americana, ou que contenha mais de 10% de componentes desse país", indica o texto.

O documento refere também que "esta política obriga a usar intermediários e aumenta o custo, às vezes até torná-los inalcançáveis".

Nesse sentido, destaca que entre 01 de março de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, a indústria biotecnológica e farmacêutica de Cuba sofreu perdas de mais de 134,3 milhões de dólares, associadas ao embargo norte-americano.

A situação traduz-se no facto de que, dos 395 fármacos que a ilha produz no seu quadro básico de saúde, 300 estão em falta "por dificuldades em aceder a matérias-primas e insumos farmacêuticos".

Além disso, 34 entidades bancárias internacionais suspenderam ou recusaram-se a efetuar operações relacionadas com a compra de insumos ou medicamentos por parte de Cuba "por receio das sanções secundárias".

Perante esta situação, o Governo cubano autorizou, em julho passado, a gestão de farmácias por empresários privados, uma das atividades que durante décadas o Estado controlou de forma centralizada. Mas, até hoje, nenhuma começou a prestar serviços oficialmente.

Cuba vive uma profunda crise energética e económica tanto por causas internas como externas e agravada pelo bloqueio petrolífero dos EUA desde janeiro, que mantém a economia estatal quase paralisada.

Os cubanos sofrem cortes de energia de mais de 20 horas diárias, os hospitais oferecem apenas alguns serviços mínimos e os preços dispararam de forma generalizada, especialmente dos alimentos e dos medicamentos nos mercados informais.

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