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Conselho de Ilha Terceira alerta que hospital central compromete autonomia dos Açores

Lusa
13-10-2026 20:43h

O Conselho de Ilha Terceira defendeu hoje que a criação de um hospital central ou universitário em São Miguel poderá “comprometer seriamente” o Serviço Regional de Saúde (SRS), as finanças públicas e a autonomia dos Açores.

Na versão final do relatório intitulado “O Futuro do Serviço Regional de Saúde dos Açores – Análise e propostas para o SRS”, a que agência Lusa teve acesso, o Conselho de Ilha Terceira alerta para os riscos da criação de um hospital central em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

“O Conselho de Ilha da Ilha Terceira entende que os principais desafios do SRS não decorrem da inexistência de uma nova megaestrutura hospitalar, mas sim de fragilidades estruturais na organização, gestão e planeamento do sistema de saúde regional, que importa identificar e corrigir”, lê-se no documento, que será apresentado ao Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM).

Para aquele órgão consultivo, a criação da infraestrutura teria “impactos significativos” na sustentabilidade financeira, na coesão territorial, na organização hospitalar na região e na “resiliência do sistema de saúde perante crises ou catástrofes”.

“A criação de um hospital central/universitário não corresponde às necessidades reais do arquipélago e pode comprometer seriamente o futuro do SRS, das finanças públicas regionais e da própria autonomia”, alerta.

O Conselho de Ilha da Terceira considera que a realidade geográfica dos Açores “implica necessariamente um modelo de saúde baseado em redundância e distribuição territorial de competências”, já que a “concentração da atividade hospital” cria “vulnerabilidades graves”.

O órgão estima que a construção daquele tipo de hospital represente um investimento de “175 milhões a 210 milhões” de euros, um valor que poderia aumentar em cerca de 150 milhões de euros em caso de “derrapagens”.

O hospital central/universitário em São Miguel poderia ter um “impacto acumulado em 10 anos de cerca de 800 milhões adicionais em despesa pública”, segundo a versão final do documento.

O Conselho de Ilha Terceira propõe a “reabilitação e reconversão com ampliação do centro de saúde da Ribeira Grande” e a recuperação do hospital de Ponta Delgada com “modernização das instalações” e a “melhoria da gestão” hospitalar “em vez da criação de uma nova megaestrutura”.

“Em vez da criação de um hospital central/universitário, o Conselho de Ilha defende uma estratégia baseada em eficiência, redundância e valorização dos recursos existentes, algo que nunca se conseguiu”, refere.

Sobre o estado atual do SRS, o organismo considera a “ausência de uma central de compras regional” como uma das “fragilidades mais evidentes”, defendendo que a criação de uma central implica “apenas a otimização das competências existentes” na Direção Regional da Saúde.

O Conselho de Ilha Terceira alerta também que o “principal problema” do SRS “não está na formação de médicos, mas sim na incapacidade de os atrair e fixar”.

“Se contarmos apenas com os 482 médicos que passaram pelo Curso Básico de Medicina nos Açores apenas 108 regressaram à tegião para exercer atividade profissional no SRS”, nota.

O órgão aponta igualmente o “crescimento descontrolado da despesa hospitalar”, a “concentração excessiva de cuidados hospitalares em São Miguel”, a “ausência de uma rede estruturada de cuidados continuados” e a “falta de regulação no sistema de convenções com as clínicas privadas”.

Numa altura em que o Governo Regional analisa o programa funcional para a reabilitação do maior hospital dos Açores, afetado por um incêndio em maio de 2024, há uma discussão na região sobre se Ponta Delgada deverá ter um hospital central e universitário.

Em março, um grupo de cidadãos da ilha de São Miguel ligados aos meios políticos, empresariais, culturais e sociedade civil lançou uma petição a defender que o hospital de Ponta Delgada seja o “hospital central e universitário” do arquipélago.

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