Trabalhar por turnos não significa sono condenado ao fracasso. Há soluções, mas é preciso método e consistência. A neurologista e somnologista Dulce Neutel e a médica de família Vera Silva apontam estratégias simples que reduzem o impacto na saúde.
O problema é comum. Vera Silva garante que "não há um único dia em que não tenho alguém a queixar-se de problemas de sono".
O ponto de partida é conhecer o ritmo interno. Há pessoas matutinas e pessoas vespertinas. Quem puder, deve ajustar o horário de trabalho a esse ritmo, mas quem faz turnos rotativos deve "arranjar uma rotina dentro da não rotina", defende a somnologista Dulce Neutel.
Quem dorme de dia deve simular a noite: o quarto deve ficar escuro e silencioso para melhorar a qualidade do sono. Em prédios com má acústica, os tampões para os ouvidos ajudam. Estes são ajustes importantes, pois o sono diurno tende a ser mais curto e fragmentado.
A alimentação também conta. As refeições devem manter horas certas, mesmo de noite. Levar comida de casa evita o recurso a fast food, já que refeições equilibradas e faseadas impedem o excesso de calorias, que o corpo não gasta. Uma estratégia importante que também previne obesidade e doenças cardiovasculares.
A sesta é outra aliada. "Pode ser uma ótima ferramenta quando bem utilizada", explica Dulce Neutel. Deve durar cerca de 20 minutos e terminar até às 15h ou 16h. Não é preciso adormecer, uma vez que o objetivo é aliviar a pressão do sono, sem entrar em sono profundo. Quem acordou muito cedo pode fazer a sesta de manhã.
Recuperar ao fim de semana o sono perdido não funciona. Passar dez a doze horas na cama não resolve. "Pode estar lá a descansar, mas não vai estar a repor todas as funções que o sono tem", alerta Dulce Neutel. Cada pessoa tem uma necessidade própria, entre sete e nove horas. Um fim de semana sem despertador ajuda a descobrir o valor certo para cada pessoa.
Os comprimidos para dormir são a solução mais fácil. A médica de família, Vera Silva, reconhece que "é muito mais fácil tomar o comprimido do que tomar as medidas de higiene do sono". Mas a higiene do sono é o caminho mais seguro. O mesmo vale para a cafeína em excesso.
Dormir bem é essencial. Se não alcança um sono de qualidade, peça recomendações ao seu médico assistente.