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Medicamentos para perda de peso levantam dúvidas sobre critérios de prescrição

MHC/CANAL S+
08-10-2026 17:30h

O tema esteve em análise no programa “Check-up” do Canal S+ (posição 129).

A utilização crescente de medicamentos para a perda de peso está a levantar dúvidas sobre os critérios de prescrição e o acompanhamento dos doentes. Miguel Oliveira da Silva e Ana Infante defenderam a necessidade de avaliar quem está a prescrever estes fármacos e em que circunstâncias.

Miguel Oliveira da Silva, ginecologista e obstetra e professor de Ética Médica, considera positiva a intervenção da Ordem dos Médicos, que pediu ao Infarmed informação sobre a prescrição destes medicamentos. O especialista defende que a obesidade deve ser tratada como uma doença crónica, mas alerta para a utilização dos fármacos sem acompanhamento clínico.

Ana Infante, administradora hospitalar, destacou o aumento do consumo destes medicamentos em Portugal. As vendas passaram de 46 mil embalagens em 2019 para 572 mil em 2025, representando mais de 130 milhões de euros pagos diretamente pelos portugueses.

A responsável considera necessário perceber se os medicamentos estão a ser utilizados de acordo com critérios clínicos e alerta para os riscos de uma utilização sem acompanhamento médico.

Miguel Oliveira da Silva sublinhou ainda que a prescrição pode ser feita por qualquer médico, não estando atualmente limitada a determinadas especialidades. Para o especialista, é importante conhecer quem está a prescrever estes medicamentos e a que doentes.

Ãlertou também para os custos elevados da medicação e para a possibilidade de recuperação do peso após a suspensão do tratamento, defendendo que os medicamentos devem ser utilizados como complemento de mudanças no estilo de vida.

A Ordem dos Médicos pretende agora avaliar os padrões de prescrição através dos dados disponibilizados pelo Infarmed. Caso sejam identificadas práticas consideradas inadequadas, poderá ser ponderada uma limitação da prescrição a determinadas especialidades médicas.

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