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Quercus defende plano “estruturado e abrangente” para controlar aumento de javalis

Lusa
08-10-2026 07:01h

A organização ambientalista Quercus defendeu hoje a criação de um plano “estruturado e abrangente” para controlar o aumento de javalis nas zonas urbanas, considerando insuficiente o projeto-piloto do Governo de incentivo ao abate.

“A gestão populacional do javali em Portugal deve ser enquadrada, na opinião da Quercus, através de um Plano de Ação estruturado e abrangente, com medidas multisectoriais que abordem a raiz do problema e apresentem resultados a longo prazo”, refere a associação, em comunicado.

A posição da organização ambientalista surge numa altura em que se têm registado problemas em diferentes regiões do país, como danos na agricultura e acidentes rodoviários, devido à presença dos javalis.

A associação considera que “antes de pagar pelo abate dos animais, é preciso saber se e onde existem efetivamente densidades excessivas”, sublinhando que o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) fala em “correção de densidade, pelo que pagar por cabeça e abater o maior número possível de animais não significará necessariamente um resultado eficaz e uma redução dos prejuízos”.

Para combater os prejuízos causados pela presença dos javalis, a Quercus avançam com medidas “que podem e devem ser implementadas”, como o investimento na proteção das culturas agrícolas, a necessidade de garantir que as compensações aos agricultores afetados são justas e estão a ser pagas e a adoção de estratégias que visam uma caça sustentável.

“Se a caça é apresentada como instrumento de gestão populacional, é necessário avaliar também o seu efeito sobre a população e os danos no ecossistema e na biodiversidade, e não apenas apresentar o número total de animais abatidos”, referiu a organização, que também quer saber se a densidade populacional do javali vai ser quantificada antes e depois da implementação do projeto-piloto.

O Governo vai lançar um projeto-piloto, que se baseia num incentivo para combater o aumento da densidade populacional dos javalis em 60 concelhos do país, através do pagamento pelo abate de machos (50 euros) e fêmeas (70 euros), segundo a Quercus, uma organização não governamental e sem fins lucrativos.

“Pagar por cabeça e abater o maior número possível de animais não significará necessariamente um resultado eficaz e uma redução dos prejuízos”, considera a Quercus, frisando que “vê com cautela a criação do projeto-piloto de incentivo ao abate de javalis, na medida em que acaba por tratar a consequência em vez de lidar com as causas".

Segundo a Quercus, a “regressão histórica do lobo-ibérico, um predador natural do javali, em grande parte do território português é um dos fatores-chave que explica a aparente maior densidade populacional e dispersão geográfica do javali”.

Outro fator que também contribui para a dispersão do javali está, de acordo com a organização, relacionado com “o abandono progressivo da gestão do território e a diminuição do habitat natural disponível”, uma vez que com menos recursos disponíveis nos ecossistemas naturais, os animais procuram alimento noutros locais, invadindo explorações agrícolas ou até mesmo contentores de resíduos urbanos.

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