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Fome ameaça mais 12 milhões de mulheres devido a conflitos no Médio Oriente - ONU

Lusa
02-10-2026 12:23h

A subida dos preços dos alimentos causada por fatores como o conflito no Médio Oriente e o bloqueio do estreito de Ormuz fará com que mais 11,7 milhões de mulheres sofram de insegurança alimentar, alertou hoje a ONU.

Este número, que deverá ser atingido até ao fim do ano, irá somar-se aos 208 milhões de mulheres e raparigas que, segundo as estimativas, já sofriam de insegurança alimentar ou subnutrição antes de 2026 nos 28 países estudados.

A previsão foi apresentada hoje num relatório divulgado numa conferência de imprensa pela diretora executiva adjunta da ONU Mulheres, Nyaradzayi Gumbonzvanda.

Sudão, Haiti, Iémen e Palestina estão entre os países com maiores riscos de insegurança alimentar para as mulheres, devido à sobreposição de conflitos, crises económicas e outros fatores, de acordo com a ONU Mulheres.

No entanto, o Sudão do Sul tem a maior percentagem de mulheres e raparigas em situação de insegurança alimentar, com 14% (uma em cada sete) nessa situação, seguido pelo Líbano, onde a taxa representa quase 4% da população feminina.

A insegurança alimentar é determinada quando uma pessoa ou família não tem acesso regular, físico, social e económico a alimentos suficientes, seguros e nutritivos para manter uma vida ativa e saudável.

Segundo Nyaradzayi Gumbonzvanda, em muitos países, as mulheres representam uma proporção particularmente elevada do número total de pessoas que sofrem de insegurança alimentar, como é o caso do Afeganistão (60%), do Iémen (57%) e do Sudão (56%).

“Quando os alimentos são escassos, as mulheres comem menos e por último. Muitas vezes, consomem dietas menos nutritivas ou saltam refeições para priorizar as necessidades dos outros”, explicou.

A responsável da ONU Mulheres destacou ainda as desigualdades existentes no emprego e no acesso a serviços financeiros que muitas mulheres enfrentam para fazer face ao aumento dos preços dos alimentos.

Neste sentido, em países como o Egito, o Iraque, o Sudão e a Síria, cerca de 80% das mulheres estão fora do mercado de trabalho, percentagem que sobe ainda mais - para 95 -, no Afeganistão e no Iémen.

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